segunda-feira, março 12, 2007

Pressa de sentir

"Falhei em muita coisa clamorosamente,
sobretudo no que não cheguei a dizer
e todavia nunca minguou em mim a pressa
de dizê-lo. Igualo-me, nessa pressa,
à loucura circular dos pilotos no poço da morte,
com uma diferença: eles param quando o tempo
acaba; eu continuo sempre porque
não quero que o tempo acabe. Como dizer?
Há uma cegueira persistente nestes olhos
que temem a luz, amando a luz. Contradigo-me,
eu sei. (...)"

José Jorge Letria