sexta-feira, julho 29, 2005

Girafinha...




UMA HOMENAGEM A UM ANIMAL BELÍSSIMO....
Lenda da Girafa
Por que é que a girafa tem o pescoço comprido?

"Há muito, muito tempo, a girafa era um animal igual aos outros, com um pescoço de tamanho normal. Houve então uma terrível seca. Os animais comeram toda a erva que havia, até mesmo as ervas secas e duras, e andavam quilómetros para ter água para beber. Um dia, a Girafa encontrou o seu amigo Rinoceronte. Estava muito calor e ambos percorriam lentamente o caminho que levava ao bebedouro mais próximo e lamentavam-se.- Ah, meu amigo - disse a Girafa, - vê só... Tantos animais a escavar o chão à procura de comida... Está tudo seco, mas as acácias mantêm-se verdes.- Hum, hum - disse o Rinoceronte (que não era - e ainda não é - muito falador). - Seria tão bom - disse a Girafa - poder chegar aos ramos mais altos, às folhas tenras. Há muita comida mas não conseguimos lá chegar porque não conseguimos subir às árvores.O Rinoceronte olhou para cima e concordou, abanando a cabeça:- Talvez devêssemos ir falar como o Feiticeiro. Ele é sábio e poderoso.- Que bela ideia! - disse a Girafa. - Sabes onde fica a casa do Feiticeiro?O Rinoceronte acenou afirmativamente e os dois amigos dirigiram-se para a casa do Feiticeiro após matarem a sede. Depois de uma caminhada longa e cansativa, os dois chegaram a casa do Feiticeiro e explicaram-lhe ao que vinham.Depois de os ouvir, o Feiticeiro deu uma gargalhada e disse:- Isso é muito fácil. Voltem amanhã ao meio-dia e eu dar-vos-ei uma erva mágica. Ela fará com que os vossos pescoços e as vossas pernas cresçam. Assim, poderão comer as folhas tenras das acácias.No dia seguinte, só a Girafa chegou à cabana na hora marcada. O Rinoceronte, que não era lá muito esperto, encontrou um tufo de erva ainda verde e ficou tão contente que se esqueceu do compromisso. Cansado de esperar pelo Rinoceronte, o Feiticeiro deu a erva mágica à Girafa e desapareceu. A Girafa comeu sozinha uma dose preparada para dois. Sentiu imediatamente uma sensação estranha nas suas pernas e pescoço e viu que o chão estava a afastar-se rapidamente. “Que engraçado!” pensou a Girafa, fechando os olhos pois começava a sentir-se tonta. Passado algum tempo abriu lentamente os olhos. Como o mundo tinha mudado! As nuvens estavam mais perto e ela conseguia ver longe, muito longe. A Girafa olhou para as suas longas pernas, moveu o seu pescoço longo e gracioso e sorriu. À sua frente estava uma acácia bem verdinha... A Girafa deu dois passos e comeu as suas primeiras folhas.Após terminar a sua refeição, o Rinoceronte lembrou-se do compromisso e correu o mais depressa que pôde para a casa do Feiticeiro. Tarde demais! Quando lá chegou já a Girafa comia, regalada, as folhas da acácia. Quando o feiticeiro lhe disse que já não havia mais ervas mágicas, o Rinoceronte ficou furioso, pois pensou que tinha sido enganado e não que fora o seu enorme atraso que o tinha prejudicado. Tão furioso ficou que perseguiu o Feiticeiro pela savana fora. Diz-se que foi a partir desse dia que o Rinoceronte, zangado com as pessoas, as persegue sempre que vê uma perto de si."

Você não me ensinou a te esquecer...


Porque às vezes é preciso aprender a esquecer...dedicado a todos aqueles que sofrem por amor e ao meu amigo Rafael por me mostrar a beleza da música brasileira....

Música de Caetano Veloso


Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos ganhar seus abraços
É verdade eu não minto
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde
Nunca mais perdê-la
Agora que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar

Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora que faço eu na vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar

quinta-feira, julho 28, 2005

Sensação...

A sensação. Aquela sensação. O pôr do sol a sair-me nas entranhas, um minuto somado de segundos, nenhum deles similar. A vertigem de cada um desses segundos em cada milímetro da pele, os poros a fecharem-se, a respiração retida, o suspiro mais profundo que a brisa de um vento áspero, vindo das paragens onde um dia quis estar. Deserto em África, tempestade de areia nos olhos, amanhecer em Marrocos. A sensação. As pálpebras a quererem fechar-se na força da torrente que nos arrasta. O beijo. Largando âncoras nas nossas bocas. Lançando amarras nos nossos lábios. O aperto. O desejo. Fazia tudo outravez. Só por um minuto daquela sensação. De te beijar e sentir a alma sair pela boca, e tu saires de mim pelos olhos. Levitação. Flutuar. Ousar. Viajar. Ser capaz de tudo. A sensação. Lágrimas a quererem sair de todos os poros, um fluxo energético a emanar de mim, uma corrente que nos atravessa. Parece que acendeste a luz cá dentro, como diz por aí. Como se tivesses achado o caminho, ou talvez toda a vida o soubesses, como se tivesse nascido para estar a beijar-te naquele segundo em que te econtrei. E a dor que sinto e me abrasa, esconde-se e refugia-se na memória dessa emoção. Como se fosse a sombra escondida atrás do luar. Mastigar o luar e cuspi-lo em estrelas. A sensação. Escrever com um lápis por cima das entrelinhas da vida. Os nossos lábios tão próximos, os corpos a inclinarem-se, o cérebro a pensar em sintonia. O vazio das palavras para te dizer , esse beijo que deu uma sensação de enjoo no coração e batidas descompassadas no estômago. Não, não foi ao contrário. Trocaste-me os sentidos, os teus lábios a cheirarem a noite perdida a vaguear em minhas mãos, a tua pele a ecoar gemidos inaudíveis e o teu olhar a saber a desconhecido. Misterioso. O vórtice a sair pelos dedos enfraquecidos da espera. Do tempo que as cabeças demoraram a se juntar e a terra a ficar bamba perante a magnitude desta atracção. Abro os olhos com a boca muda de espanto, o meu corpo tenso e relaxado em simultâneo. A sensação. Inteligível nas palavras.Sabes por acaso onde está o meu interruptor? Faltou a luz dentro de mim desde que a tua boca deixou o cais da minha. Engoli fósforos, mas a única coisa que arde é a falta de ti a latejar no meu corpo, num afago que anseio. Porque é que apagaste a luz? Cortaste os fusíveis dentro de ti? Ou foi algum frio gélido vindo do Norte, da neve branca das nossas emoções que congelou a lareira que acendias para iluminar e aquecer mesmo quando faltava a luz? Esqueceste-te como se liga o interruptor? Ou as minhas mãos já não têm força para vislumbrar o plexo da tua alma? Não sei... a luz aqui faltou, não ha candeias ou velas que se mantenham acesas, porque as lágirmas insistem em dar lugar a alguma penumbra. Porventura para te mentira que já te esqueci. Não me podes ver. Prescrutar a minha alma na expressão pálida do meu olhar. Olha pálido e artificial, lentes de contacto para quando te vir. Para fingir que já não te amo e tudo em mim é luz. Perceberás que não sou mais que uma mentirosa sem escrúpulos? È verdade, assim ficaremos os dois felizes. Ou tu ficarás em júbilo a pensar que nem sequer valia muito a pena, porque te minto e sou cobarde, porque te amo e não consigo lutar mais. È simples.Estou às escuras, estou cega, não sei econtrar o caminho de mim mesma, quanto mais o do teu coração.

sexta-feira, julho 22, 2005

Livro de Sorrisos


 Posted by Picasa
Tu que hoje és passado, tu que foste sentimento, que foste emoção, que foste loucura e sofreguidão, desejo e êxtase, ontem eras lágrima, e hoje és sorriso. Escreveste teu nome na minha alma, deixaste o teu perfume no meu corpo, e ficaste em mim como um momento de plenitude e harmonia, escrito no tempo, escrito no meu livro de sorrisos. Serás um sorriso, um momento, guardado em mim, e recordado não por desejo, mas porque coloriste o meu livro de sorrisos...

"Chuva"

"As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudade
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ao ouvir


São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder


Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade."

Fado de Mariza, letra de Jorge Fernando

quarta-feira, julho 20, 2005

Estio


 Posted by Picasa
O vento enche-me as folhas de areia. Tento escrever por entre os grãos que me fazem cócegas, enquanto arrasto a minha mão pelo papel.
Procuro qualquer coisa que encha estas linhas, enquanto o sol queima as minhas costas, e gotas de suor percorrem o meu corpo moreno, também ele cheio de areia, com cheiro a maresia e sabor a sal... Mas a inspiração não quer vir, é mais teimosa que o meu corpo, que preguiça na toalha e adia o refrescante mas gelado mergulho no mar... E percorro esta folha sem nada para dizer, de mente vazia e corpo apático, corpo ocioso, corpo fundido com a toalha estendida na areia, corpo dormindo o sono do estio...

segunda-feira, julho 18, 2005

Amar...

Amar dói como um murro no estômago,
Como quando a alma mirra até um indizível grão de terra
Amar dói como uma dor de cabeça sem final
Que nos cansa até ao âmago das lágrimas
Lágrimas perdidas nas entradas do corpo...
Amar dói como quando me dizes adeus
Sem sequer proferires a palavra adeus
Adeus na indiferença das entrelinhas....
Amar dói como ser queimado vivo sem fogueiras
Queimado por dentro em todos os órgãos vitais
Almejar não sentir só para deixar de sentir mágoa
O sonho não existe, esvanece-se, esvai-se em morte rápida
Amar dói
E eu que imaginava que amar era só aquele riso
Aquele querer ser maior sem crescer
Dançar sem levantar a cadeira da sala
E ficar estendida com a aragem morna do beijo
Memória do beijo que me faz agora mal
Porque amar dói... como quando uma rajada de vento
Destrói tudo à sua passagem..

Relógio do tempo


 Posted by PicasaGostava de dar voltas no relógio do tempo e parar naquele momento em que jurámos vida e futuro na loucura de um desejo, na sofreguidão de um olhar, intenso, quente, de um corpo que vibrava de paixão sincronizado no meu, colado ao teu... Gostava de parar naquele momento que num ontem fomos nós e que num hoje foge de mim e de ti, e ser eterna contigo, duas almas abraçadas num beijo, duas mãos que violentamente se uniram, dois corações que se tornaram um só...
Gostava de deixar de ser uma sombra, um espectro do passado que já não me pertence, um nada que num hoje corre para um ontem e foge para um amanhã, numas escadas rolantes que desespero em subir, em vão, porque o seu sentido é descendente... como o meu arrastar num hoje difuso e incompleto, em que subsiste um eu que já não é eu, porque ficou preso num tu.
Gostava... Gostava de te abraçar num para sempre que não é som nem palavra, que não é apenas de um hoje mas de um amanhã... Gostava de dar voltas ao relógio do tempo, mas ele está preso num hoje, como nós ficaremos presos num ontem, unidos numa eternidade que já não é nossa, que é de outro nós, outros tu e eu...