terça-feira, agosto 19, 2008

Dias e dias

Os dias passaram sempre um atrás do outro. De que outra forma poderia ser? O tom grisalho dos anos vai colorir todo o vale encantado de poesias da nossa vida. O tempo deixa apenas sobras e estilhaços do que somos ou quisemos ser. O tempo traz-nos a sabedoria de que o próprio tempo escasseia. E a amena certeza de que basta um poema e uma folha a cair da árvore,em surdina, para nos acordar para a mais inesperada felicidade. O calendário não perdoa, mesmo que arranquemos as páginas e fique na gaveta. Ninguém espera por nós, porque é que a vida tem de esperar? Nunca seremos tão novos como agora, como ontem, como há dois dias. O tempo certo para agir será sempre agora. O tempo certo para viver sempre será agora. Porque nunca se sabe quando o agora dará lugar a um tarde de mais. Tarde de mais para ser novo. Tarde de mais para esquecer as responsabilidades que nos vestiram desde cedo. Os dias passam uns atrás dos outros, em fila indiana. E nós que fizemos enquanto os dias passavam? Estaríamos numa fila indiana à espera do momento certo para viver?