quinta-feira, fevereiro 28, 2008

palavras leva-as o vento..porque não as leva o mar?

O reflexo do sol brilhava no mar, na areia e nos passos. Mas a mim perseguia-me uma nuvem enorme, cinzenta, chuvosa. O mar imponente balanceava sem pestanejar. Era bom ser mar, não reflectir ou entender. Ser só o mar e fazer música e ser apenas onda. A praia era tão linda, tão linda que a sua beleza sufocava a poesia. Porque nenhuma poesia poderia descrever como aquele mar era bonito... e como tantas vezes na correria dos dias não parei para olhar por instantes para aquele mar que parecia engolir tudo, que rodeava todas as casas da cidade. Mas hoje e por ínfimos instantes eu vi o mar e senti-me tão pequena. Tão pequena e sozinha. Apaixonada por esta ilha e apaixonada por ti. Só que tu não estavas. E apeteceu-me esquecer-te, porque me dói às vezes no estômago. Porque me dói estar dividida entre dois mundos. Ser dos dois e afinal não ser de nenhum. Querer partir e querer ficar. Sempre com a cabeça na lua, no mar ou no horizonte. Sempre com tantos projectos que acabo por me perder em tantas chegadas e partidas. Tu nem me viste, eu passei por ti mas nem viraste a cabeça. Não ergueste a tua mão para me tocar devagarinho como antes. Paraste e desististe da corrida e eu que estava quase a chegar à meta. Estou à tua espera do outro lado, daquele onde me conheci e encontrei, daquele em que me compreendes e sabes escutar. Onde estás tu?Atrás de que parede te escondeste? Será que mudei?Ou será apenas este cansaço, esta roda viva, que me impede de ver a beleza que sempre vi em ti e no mundo. E até em mim. Por isso hoje parei e olhei o mar e fiquei com vontade de voltar lá. Porque eu agora vivo na terra do mar. Onde o mar comanda e faz sonhar. E apetece ficar aqui para sempre. Mas uma parte chama no fundo de mim e diz-me que também devo partir.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

You're a part time lover and a full time friend
The monkey on you're back is the latest trend
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
I kiss you on the brain in the shadow of a train
I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Here is the church and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
The pebbles forgive me, the trees forgive me
So why can't, you forgive me?
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
I will find my nitch in your car
With my mp3 DVD rumple-packed guitar
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Up up down down left right left right B A start
Just because we use cheats doesn't mean we're not smart
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
You are always trying to keep it real
I'm in love with how you feel
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
We both have shiny happy fits of rage
You want more fans, I want more stage
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Don Quixote was a steel driving man
My name is Adam I'm your biggest fan
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Squinched up your face and did a dance
You shook a little turd out of the bottom of your pants
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Winter of 2008 (like the summer of 69... I knew that nothing could last forever)

Tudo parecia agora mais difícil. O cheiro nas almofadas, os bilhetes escondidos debaixo dos objectos e o prazer da descoberta. Mas permanecia um longo e enorme vazio, como se estivesse perdida no meu quarto-labirinto. Como se o conhecido voltasse a ser desconhecido. De repente estava de novo sozinha, a minha sombra sem outra sombra, as minhas palavras sem outra voz a dar-lhes resposta. E as fotografias e as memórias a pairarem sobre todas as coisas. Parece que arrancaram uma parte de mim. As despedidas deviam ser proibidas, mas já sabíamos. Era uma despedida antecipada quando nos encontrámos. Mas atirei-me de cabeça a estes dias, enchemos o quarto de risos e suspiros. Perfumámos as horas de beijos e devorámos o mundo. Atravessámos a ilha e de repente eu não estava cá. Havia um pouco de casa, um quê de familiar. E um palpitar na barriga e cócegas no corpo e no coração. Uma lareira na alma que fumegava.Agora volto à estaca zero nesta corrida de saudades. A procurar novos sentidos para os dias e a seguir em linha recta. Preferia as nossas curvas e contracurvas por aí. Mas como ambos sabemos não pode ser. Por muito que seja uma dor tão forte que parece que estilhaça o coração. Por muito que as lágrimas chovam em mim em milhares de aguaceiros. Não vai voltar atrás. O tempo passou que nem uma bala nessa semana. E finalmente a bala atingiu-nos. Perfurou a carne. E do samba dos nossos corpos ficou agora uma música triste. Apenas escrevo para matar as horas e a dor. E sorrio na alegria do que vivemos com a tristeza do que me falta viver. Esta alma sôfrega de aventura e cheia de desejos que viveu estes dias sem pensar. Esta loucura de ser e sentir que palmilhámos por aí. Ficou o eu. Mas preferia a tua mão na minha mão.

sábado, fevereiro 02, 2008

...

E todas as vozes ecoavam de novo ao sabor daquela canção. Mordia-se a lingua de vez quando mas ninguém acreditava. Depois o ritmo de todas as coisas acelerava e rodávamos dentro de nós mesmo, baratas desatinadas num burburinho em roda e sem fim. Dizia-se a verdade e o medo ia saindo, e aquela voz e aquela melodia tocavam de fundo sem parar. Foi a música que me inspirou, que brotou de cantos de mim desconhecidos e me trouxe de volta a ti escrita. Que me abriu os olhos em vendaval e me disse para não esperar mais. Chovia a potes mas eu saí pela porta dentro. Para dentro do mundo. Para dentro de ti. Mergulhei na silhueta da tua janela de lua e sufoquei-me de ti. Só a estranha melodia pintava todo o tempo. Em nós tudo nasceu. Em mim nada morreu. Escrevo sem dó e martelo furiosamente o piano de teclas que me arrasta sem volta para ti. O mundo tão estranho, tão estranho a tocar só para mim. Maestra de mim talvez, mas mexendo-me ao ritmo do mundo. A música da chuva ressoando nas vidraças e o assobio do vento alongando as pausas. O tilintar dos copos e das facas. O arrastar pesado de móveis. O elevador. Os estalidos da porta. O cansaço. As olheiras. As corridas. O tempo sem tempo. A porta fechada. Mergulhar dentro. A piscina de mim. O mundo. E a estranha melodia. E a escrita regressando lentamente ao cacifo dos sonhos. Dentro de mim. Fora de mim quando escrito. Plim Plim. A água. Patipati. Trauteiam. O chilrear das aves. O último acorde. Sair da porta para dentro. E todas as vozes ao ritmo daquela canção. Seria de amor?