segunda-feira, março 17, 2008

Jornalismo

Cada notícia é uma janela pela qual espreito o mundo e organizo a paisagem. Faço as pessoas mexer brincando com as palavras, esta aqui, a outra mais à frente, e este parágrafo pode ir mais para baixo, vou puxar esta frase para cima, vai ser a protagonista da história. É como fazer banda-desenhada, cada balão deve estar na personagem certa e a história qual fotografia, fiel ao cenário. Cada frase é única, especial e irrepetível. Cada frase é um bocadinho de vida. Cada nome é uma peça no monopólio do mundo cujo caminho desenhamos e explicamos em palavras, um filme de todos os dias com personagens reais. Cada frase teve horas a passar e um telefone ansioso por outra voz, e fintas como num jogo de futebol para descobrir aquilo que mais ninguém sabia. O jornalismo é um jogo que aprendo cada vez com mais emoção, dia após dia.

quarta-feira, março 12, 2008

=)

obrigado pelo sorriso. Que entrou em mim como uma luz esquecida, refugiada no aroma das tuas rosas, o rubor da cor das rosas percorreu-me as faces em passo acelerado. Corrida de fórmula 1 no coração. O sol dentro de mim, a rebentar em sangue de raios. A alegria a desfazer-se em sorrisos naquele segundo. Tentar apagar a desilusão com uma borracha e viver. Amo-te.

sábado, março 08, 2008

okay

Sentou-se no ramo mais afastado da enorme árvore. Precisava pensar. Sorria em parte, mas numa parte que tentava esquecer algo remexia. Reflectiu enquanto as folhas caíam e os pensamentos iam passando e aventurando-se por aí. Ao princípio era uma dor quase imperceptível no fundo de si. Uma pequena ferida que mal se dava conta. Mas quando anoitecia e parava para pensar ou como agora, pendurada no ramo daquela árvore, se punha a disparatar doía tanto. Era uma desilusão tão funda que parecia que se escorregava para uma gruta. A dor aí era maior, quando estava escuro e não se podia pensar noutra coisa. As noites acabavam todas assim. E na manhã seguinte, outra manhãe novas esperanças. Porque assim tinha que ser. Até a dor se cansa de doer quando vencida pelo sono. Não havia nada que pudesse dizer. Apenas as palavras nas quais espelheava um entendimento que mais ninguém ia entender. Como aquela dor que mais ninguém saberia que sente, como aquela dúvida que a persegue. Dúvidas, ela tem dúvidas. Do que sente, do que quer. Só aquela dor persiste nas suas gargalhadas e sorrisos. Mesmo quando se sente alegre.

segunda-feira, março 03, 2008

O Inverno acabou. os glaciares derretaram vagamente, em silêncio. Os cristais desfizeram-se com o estalido de partir pratos. a camada estalou e todos voltaram a ser quem realmente eram. Deixaram sair de si o sol, por cada poro e foram verdadeiros. O mar aqueceu e todos mergulharam nas despreocupações de um Verão quente e sonhador. Os casacos de incertezas eram rasgados com força num turbilhão de lágrimas de quem já não tem medo de chorar. Afinal, cada um de nós nasce de um raio de sol numa noite de Verão. Porque é sempre Verão, na lareira de dois corpos que se unem e forma estrelas e pó de estrelas. E tudo o mais era apenas isso. Tudo o mais. Assim se passou naqueles dias em que as vozes se juntaram e berraram contra tudo. Em que o tempo se esqueceu de marchar e correr e andar e tudo o que fizesse mover. Dizem que o tempo engordou nesses dias enquanto que o medo, esse teve de fugir como o diabo da cruz. Porque agora só a loucura reinava na terra. A loucura e de gritar de dentro para fora. De amar como uma diabólica experiência. Era Verão e caminhava-se descaço sem magoar os pés. O inverno decidiu então voltar. E toda a gente se esqueceu da essência. Vestiram-na como roupa interior mas abafaram-se de casacos. Nada mais foi igual. O rio secou. E as lágrimas também. Tudo era agora uma feliz aparência. E mais ninguém amava de verdade. E toda a gente tinha voltado a errar mais do que o normal. Tantos erros. Somos uma massa de erros, argamassa de tempo e fuligem. O tempo emagreceu, andou muito rápido, tão rápido que já não deixava ver o céu e a luz. Que nos fechou num calabouço escuro. Era inverno figurado. Amor fingido ou amor AMADO.

domingo, março 02, 2008

Pela primeira vez esvaziou a mente de tudo, e flutuou sem se importar com mais nada. O café arrefeceu em cima da mesa e o sono teimou em ser intermitente como uma lâmpada. Mas ocupou os espaços da mente para não chorar. Picou-se na roca, mas não chorou.......pelo menos não muito. Dançou no quarto sem espelho mas viu-se reflectida. A cara distorcida pela mágoa e quebrou a imagem com um sorriso. Tudo se virou e a música animou-se. Ouvia-se sons de moedinhas quando mexia a cintura. Estás longe da vista e agora também do coração. Deixei-te escapar só hoje, de propósito, mas não vale a pena enganar-me. Tu preenches todos os cantos, mesmo os mais escondidos. Depois o telefone tocou mas as palavras pareciam distantes como se eu estivesse no outro lado do mundo. E nada mais existe agora. Só um conto de fadas longíquo no tempo, era uma vez de uma história da infância. Eu estou bem sozinha por agora. Não tenho medo do escuro porque acendi velas e mais velas e vou velar sozinha o meu sono. Amor por entre as velas. Devia ter-te peguntado como estás. Remói a dúvida do que a tua cabeça te dirá sobre mim. e o teu coração. Eu faço o que posso mas não, não te consigo esquecer. E mesmo quando digo que te esqueço, dizer que te esqueço faz-me lembrar de ti. Mas hoje eu vou lembrar-me de ti sem raiva e sem lágrimas. Porque eu cresci. Saí da cama e caminhei segura pela areia. Só a tua imagem não quis deixar de caminhar comigo. Só que eu , eu arranquei-te de mim. Só hoje.

sábado, março 01, 2008

Meu querido

O lago era um coelho veloz que corria para o mar. Só ele sabia para onde ia porque eu, eu estava perdida. No ramo de uma árvore com alguma falta de equilíbrio. Afinal, meu querido, eu sempre gostei de dançar na corda bamba. Apetecia-me voltar aos velhos tempos. Tal como o cineasta que quer voltar aos filmes a preto a branco. Ao tempo em que corrias atrás de mim por entre os labirintos das minhas loucuras e caminhavas seguro no ziguezague das minhas perguntas. Não penses mal de mim, meu querido, afinal eu sou a mesma. Apenas fomos um, mas agora parece que apenas somos dois. Não me leves a mal nem quero que a desilusão te arraste como ventania. São apenas palavras como tantas outras, as demoníacas palavras que me ferem por dentro muitas vezes. Reguei as plantas, meu amor, estendi a minha alma na janela para arejar mas não sei se já está completamente pronta para voltar a usar. Talvez fique assim sem alma para não sentir falta de nada, nem me criticares ou pensares mal de mim. Porque sem alma eu não vou sentir mais, vou pensar com a cabeça e não com o coração, não vou ser mais louca. Prometo, meu querido, que o cansaço já passou e voltou o mundo das fantasias na minha cabeça. Até a escrita voltou, uma e outra vez. Volta tu também, mas traz contigo um cestinho com as coisas que te esqueceste. Com a parte de ti que me falta. Deve estar tudo no frigorífico. Espero que o nosso prazo de validade não tenha passado. Eu já limpei o pó de mim. Estou pronta para te receber no meu abraço, para te aquecer até o apito da chaleira dizer que já ferveu. Depois podemos ser chá. E dançar o chá-chá-chá. Posso te dizer que a camisola te fica bem ou que os teus beijos sabem a mar. E tu saberás porque sabem a mar. E se te me irritar irás sorrir e fazer como antes, tirar-me a irritação como remédios que se dão para a constipação. E irei ter tanta paciência como a senhora do tear que enrola fio por fio. Irei ouvir a tua história palavra por palavra até à última sílaba. Irei beber dos teus lábios e, por fim, apanhar a minha alma antes que comece a chover e não seque mais. Nunca, nunca mais.