quinta-feira, maio 19, 2011

Losing my religion

A verdade é que estamos sozinhos, mesmo tendo alguém que nos aqueça os pés à noite, mesmo que ao fim do dia haja café à beira mar, a verdade é que o dia começa e estamos sozinhos. Estamos sozinhos quando não atendes, quando são 4h da manhã e estás a dormir, apesar daquela frase que se costumava escrever no MSN e nas frases nicola, que um amigo atende o telemóvel às 4h da tarde e às 4h da manhã. A verdade é que tens de te desenrascar, que mesmo que todos os teus amigos digam que tens força e vais conseguir, as palavras não chegam, e há dias em que ao final do dia todos os sorrisos de todos os teus amigos também não chegam.
Estamos sozinhos, essa é a verdade.

domingo, maio 01, 2011

«Prometo». Não costumo falhar às promessas que te faço, e ponho toda a verdade em cada palavra, sílaba, ditongo e frase que te digo. Prometi-te que voltava a pegar na escrita e a fazer dela minha. Como se as palavras tivessem dono, assim como os corações. São apenas fragmentos que vamos segurando nos dedos, peças que nunca completam verdadeiramente um puzzle mas que insisto em tentar juntar. Se estou a falar do meu coração ou das palavras? Talvez dos dois. Possivelmente de mim. Sou um puzzle sem sentido, mas tu és a peça chave para me completar. O amor é como o vinho sabes? Quanto mais velho melhor. O nosso tem amadurecido como uma boa garrafa de vinho tinto. Mas os corações, meu querido, nunca terão dono. São almas mordazes e dífíceis, que batem ao ritmo de uma canção. A música do meu coração está sempre a mudar, ora rápida, ora lenta, ora feliz, ora triste. Ta na na na na. Ti ri ri ri. Tantas canções, todas elas ao ritmo da mesma letra do nosso amor. Mas o coração é complicado e invejoso. Há dias que sei que te amo mas o coração desencanta-se. Há dias que me apetece gritar e dizer adeus, esbraçejar e partir rumo a lado nenhum sem saber porquê. Dias de raiva e dias sem palavras. Parece que jogo uma partida em que te posso perder um dia. De encontros e desencontros tornados acaso. Sou uma alma estranha, que se entranha no amor e na paixão. Mas eu «prometo». Prometo que te amo e eu não falho às minhas promessas. Se te disser «vou amar-te para sempre», então já sabes. Para sempre é o tempo que te resta para ouvires as muitas melodias do meu coração, que tal como as palavras, terás sempre de conquistar e nunca serão tuas. Peço as letras emprestadas ocasionalmente e faço delas o meu acaso feliz. Sem elas e sem ti, sou só um fragmento, uma peça num tabuleiro de xadrez, sem nunca poder fazer xeque-mate ao rei.

um balão cheio de ti

a minha vida é um balão cheio de ti. percorro as minhas fotografias mais recentes, há anos que estás sempre presente, se não fores o olho por trás da objectiva, és o sorriso que trago na fotografia. é por ti que sorrio assim, dia após dia, quando chego a casa e a cabeça rodopia de cansaço, me sento na cama e espero a tua chamada. sou um corpo cheio de recordações de ti, de beijos, de toques, de emoções. e as roupas... percorro o armário e vejo o teu nome por toda a parte. aquele é o vestido que usei nas nossas primeiras férias, aquelas são as calças que comprei contigo, aquele é o top que adoras.
na minha escrivaninha repousa um ramo de rosas que me deste na semana passada. não há fotografias tuas no meu quarto, mas as flores não param de falar de ti, do momento bonito em que puxaste do ramo de trás das costas, e disseste "vais embora por alguns dias".
há sempre qualquer coisa, por mais banal que seja, que tem o teu nome gravado e não me deixa esquecer que existes em mim, em toda a parte. por vezes tenho medo, sabes. imagino-me nua, a olhar para todas as roupas em que deixaste o teu cheiro sem vontade de as usar, porque partiste. tenho medo que partas, um dia, e me deixes vazia. que esse balão imenso de ti que bate dentro de mim se torne pequenino e enlouqueça sem a tua presença, tu que com esse sorriso enches a sala, que no meio da multidão não deixas que me sinta sozinha.
que será de mim se não suportar o teu nome escrito por toda a parte, como diria o manel cruz numa música dos ornatos? espero que fiques, agora que deixaste a tua marca em tudo o que eu sou, seria muito pouco sem ti (e isso assusta-me... tanto).