terça-feira, junho 28, 2005

Almas que se unem num olhar...

Porque há almas que se encontram na profundidade de um olhar, que escrevem o seu destino num momento... Porque há corações que se beijam e mãos que se unem e se fundem num instante intenso, que se perpetua na vida, abraçado a um amor que sonha com a eternidade...

"Sempre existe no mundo uma pessoa que espera a outra. E quando essas pessoas se cruzam, e seus olhos se encontram, todo o passado perde qualquer importância, e só existe aquele momento, e aquela certeza incrível de que todas as coisas debaixo do sol foram escritas pela mesma Mão. A Mão que desperta o Amor, e que fez uma alma gémea para cada pessoa que trabalha, descansa e busca tesouros debaixo do sol. Porque sem isso não haveria qualquer sentido para os sonhos da raça humana."

O Alquimista, Paulo Coelho

domingo, junho 19, 2005

Mon essentiel


 Posted by Picasa
Tu es la vie qui a fait naître mon âme...

"Je sais ton amour
Je sais l'eau versée sur mon corps
Sentir son cou jour après jour
J'ai remonté les tourments pour m'approcher encore
J'ai ton désir ancré sur le mien
J'ai ton désir ancré à mes chevilles
Viens, rien ne nous retient à rien
Tout ne tient qu'a nous

Je fais de toi mon essentiel
Tu me fais naître parmi les hommes
Je fais de toi mon essentiel
Celle que j'aimerais plus que personne
Si tu veux qu'on s'apprenne
Si tu veux qu'on s'apprenne


Tu sais mon amour
Tu sais les mots sous mes silences
Ceux qu'ils avouent, couvrent et découvrent
J'ai à t'offrir des croyances
Pour conjurer l'absence
J'ai l'avenir gravé dans ta main
J'ai l'avenir tracé comme tu l'écris
Tiens, rien ne nous emmènes plus loin
Qu'un geste qui revient

Je fais de toi mon essentiel
Tu me fais naître parmi les hommes
Je fais de toi mon essentiel
Celle que j'aimerais plus que personne
Si tu veux qu'on s'apprenne
Si tu veux qu'on s'apprenne
Si tu veux qu'on s'apprenne...


Je ferai de toi mon essentiel
Mon essentiel
Si tu veux qu'on s'apprenne
Qu'on s'appartienne"

Emmanuel Moire, "Mon essentiel"

sábado, junho 11, 2005

Era uma vez...

Era uma vez uma princesa, mas a casa das bonecas cresceu. Os pózinhos de pri lim pim pim transformaram-se em pós de esperança, cinza à espera de arder numa lareira.
Era uma vez uma jarra com flores na mesa da cozinha.Era uma vez um coração. A criança derrubou a jarra, flores desfolhadas, água derramada. O coração ficou amarrotado, derrubado, derrotado a um canto do sótão.
A minha avó guardava sempre no sótão as coisas inúteis, empoeiradas, as coisas antigas ou partidas do passado. O meu coração ficou no cantinho do sótão , bem do lado do baloiço que me era tão querido em criança.
A minha mãe dizia tantas vezes : " Cresce filha..já não tens idade para andar de baloiço!"Contava a bússola do tempo 13 primaveras. Mas eu nunca queria crescer. Ainda hoje me ponho a olhar o baloiço e numa realidade virtual sombreada e definida pelas memórias, baloiço. Baloiço. Para lá e para cá. Eu nunca pensei cair do baloiço. Pensava que ele era alado e tinha asas que balançavam só para mim...Mas um dia caí...e o coração deitou sangue e rodou como um pião na areia do parque.
Ainda ouço no vento as palavras recriminatórias de minha mãe: " Eu não te avisei? Porque é que não cresces e és como toda a gente? Bem feita para aprenderes!". Agora estou sem coração. Mas não faz mal. Fui à loja e comprei uma caixinha de música, que coloquei no lugar vazio do peito. Assim não se sofre, não há desilusão.
Mentira.Mentira. A caixinha tocou músicas que me lembravam de ti, a melodia encheu os olhos de águas rumorosas do passado-presente. A boca a queimar, a arder em lume brando dos beijos que ficaram por trocar. Eu dou-te um. Tu dás-me outro. Tu prometeste. Porque é que não conseguimos cumprir as nossas promessas? Eu sei... já sei o que dirias...que eu também me esqueci de cumprir as minhas. Eu disse que não ia sofrer. Mas a culpa não é minha, foi da caixinha de música e do telefone pousado na mesa, que insiste em não em tocar.
Na noite da insónia depois de ti ninguém telefona, proibíram o riso, amordaçaram as gargalhadas. Não, não tenho forças para lutar contra eles! Contra os sentimentos. Fundi a minha força em ti quando deitava a minha cabeça no teu ombro.
Até encetei roubar a lua para iluminar as veredas escuras na noite da insónia depois de ti... mas a lua já era tua. Prometi oferecer-te em troca do teu sorriso, como um chocalate que se dá a uma criança. Agora tenho de pagar a lua em prestações. Vão-se abrindo crateras dentro de mim.Salto no vazio mas já não me amparas.
Deixo a porta do sótão entreaberta, escrevi cartas que não acabei, histórias sem final. O telefone continua pousado em cima da mesa. Será que vais ligar?

sábado, junho 04, 2005

Onde estás?


 Posted by Hello
Faltas-te. Tocas-te e não te sentes. Um melodioso e harmonioso encadear de notas e palavras composto por um qualquer desconhecido parece ter sido roubado da tua alma, quando a palavra saudade é uma lágrima que brota de um olhar sem vida e queima o rosto inexpressivo e frio, que grita pelo seu toque terno...

"Perdido", Pedro Abrunhosa

"Não posso deixar que te leve
O castigo da ausência.
Vou ficar a esperar,
E vais ver-me lutar,
Para que esse mar não me vença.

Não posso pensar que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.

Quero que saibas que
sem ti não há lua,
nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.

Leva os meus braços
E esconde-te em mim
Que a dor do silêncio,
Contigo eu venço,
num beijo assim.


Não posso deixar de sentir-te,
Na memória das mãos,
vou ficar a despir-te,
e talvez ouça rir-te,
nas paredes, no chão.

Não posso mentir que as lágrimas
são saudades do beijo.
Vou ficar mais despido,
Pelo corpo vencido,
Perdido em desejo.

Quero que saibas que
sem ti não há lua
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua

Leva os meus braços,
E esconde-te em mim,
que a dor do silêncio,
Contigo eu venço
Num beijo assim
"

quinta-feira, junho 02, 2005

Querida Ísis vais concordar que esta música te tocará de forma especial...Já sabes..é a pronúncia do Norte...lindo!

Há um prenúncio de morte
Lá do fundo de onde eu venho
Os antigos chamam-lhe renho
Novos ricos são má sorte

É a pronúncia do Norte
Os tontos chamam-lhe torpe
Hemisfério fraco outro forte
Meio-dia não sejas triste
A bússola não sei se existe
E o plano talvez aborte
Nem guerra, bairro ou corte

É a pronúncia do Norte
É um prenúncio de morte
Corre o rio para o mar

Não tenho barqueiro nem hei-de remar
Procuro caminho novo para andar
Tolheste os ramos onde pousavam
Da Geada as pérolas as fontes secaram
Corre um rio para o mar E há um prenúncio de morte
E as teias que vidram nas janelas
Esperam um barco parecido com elas
Não tenho barqueiro nem hei-de remar
Procuro caminhos novos para andar

É a pronúncia do Norte
Corre um rio para o mar

Somos...

Somos orvalho ao amanhecer na boca do poeta. Às vezes rio que corre sem rumo para o mar. Somos espelhos baços cuja imagem reflectida é sempre o que querem de nós e nunca o que queremos ser.
Somos a mão estendida à espera do beijo terno que nunca vem, vagueamos por esquinas à procura da nossa sombra, sem reparar nas mil e uma outras sombras que nos rodeiam . Bradamos que estamos sozinhos, que o tempo não chega, que o dinheiro não chega.Magoamos, traímos, enganamos e à noite chegamos a casa, com os bolsos vazios e a consciência pesada. Às vezes somos o sonhador que atravessa as neblinas, o conquistador que se lança à aventura, mas nunca saímos das nossas quatro paredes. Noutros momentos somos solidários, talvez só para que os outros nos elogiem a nossa compaixão.
Na volta do mundo somos o caos, quando o nosso mundo está em ruínas, outras o riso partido em rios de lágrimas. Somos máscaras, somos ser, peça de teatro, jardim do Éden, lançamos raios de Vulcano, suspiramos nas esquinas.
Somos o bom e o mau, o lado podre e são da mesma maçã, somos homem, mulher, Adão, Eva. Somos nús, despidos, quandos nos lêm a alma, vestimo-nos porque dói muito a fragilidade. Incorporamos o mundo nos nossos gritos, somos estrela, luz, vela cuja chama ténue um dia se dissipará. Somos corpo, ficará de nós espírito? Quando os abutres cheirarem os nossos restos dilacerados e putrefactos?
Somos engano, vórtice, labirinto ou cartola de mágico, bola de cristal sem bússola, redundância, gesto ou palavra. Semente, que brota e se multiplica. Somos vento, miragem, oásis onde alguém repousa.Elixir, fénix, renascer, permanecer, almejamos. Existimos. Morremos. Sentido? Embrutecido? Ser. Perder. Ganhar. Que luta? Qual vida? A nossa. A minha. Ás de Copas. Cheque Mate. Golo. Fim. Confusão, dissertação. Aperto no peito, arrepio. Somos a criança à procura do colo brando onde repousar. Somos a mulher ou o homem sôfrego à procura de corpos para se fundir, se diluir, desintegrar e se voltar a refazer. Somos. Somos. Somos

"O Eterno Retorno"

Aparentemente sem nexo, este título, alusivo à obra Origem da Tragédia, do filólogo/filósofo alemão Nietzsche, serve para informar que voltarei a escrever com o meu antigo colega de blog, o Terreno, aqui, não significando por isso que abandonarei este cantinho...pelo menos para já.