segunda-feira, dezembro 29, 2008

Pétala

A Avenida cheirava a Primavera
Era Outono.

O amor cheirava a castanhas assadas na brasa,
Sem pressas os corpos ardiam.

Os meus sentimentos cheiravam a neve.
Já era Verão.

Só o amor cheirava a gelo
Sem pressas os corpos congelavam.

O amor é uma sombra estranha.
E então era Primavera.

O amor cheirava a nada misturado com tormentas
Sem pressas os corpos procuravam-se.

Mas nunca se chegavam a encontrar.

O meu amor por ti percorre todas as estações do ano.

Quando cheira a neve
Gostava que ardesses como a castanha,
Quando me pareces uma sombra
Gostava que fosses uma flor da Primavera.
A desabrochar no meu corpo, na minha mão.

Eu sou a pétala arrastada no tempo e na vertigem,
Eu sou o nada transformado em tudo.
Eu sou a força que aparenta fraqueza.
Eu sou mulher, eu sou lágrima.

Uma pétala de uma túlipa desfolhada ao vento,
Pisada, magoada, amada, enlouquecida,
Eu sou o rubor do Verão.

Eu sou Outono na folha que cai,
Na lágrima que sobrevive no olhar.

Eu sou ponto de encontro entre mim e nós.
Eu sou o frio da nossa distância
Quando o amor é Inverno.

Eu sou o medo
Do não em vez do sim.
A meia lua
E quando a lua enche
Eu preciso de ti.

Porque eu sou só uma pétala
E só tu me podes tornar flor.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Grace

"there's the moon asking to stay
long enough for the clouds to fly me away
well it's my time coming, i'm not afraid to die
my fading voice sings of love,
but she cries to the clicking of time
oh, time

wait in the fire...

and she weeps on my arm
walking to the bright lights in sorrow
oh drink a bit of wine we both might go tomorrow
oh my love

and the rain is falling and i believe
my time has come
it reminds me of the pain
i might leave
leave behind

wait in the fire...

and i feel them drown my name
so easy to know and forget with this kiss
i'm not afraid to go but it goes so slow
"

Jeff Buckley