terça-feira, novembro 29, 2005

Harry Potter and the Goblet of Fire


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As adaptações cinematográficas do best-seller de J.K. Rowling, Harry Potter, deixam sempre a desejar. O recente filme, "Harry Potter and the Goblet of fire" ("Harry Potter e o Cálice de Fogo"), adaptado do quarto livro da sequela de Rowling, não é excepção. Os cortes e os saltos sequenciais da narrativa original são flagrantes, e apesar do longo tempo de duração do filme (cerca de três horas), há pontos importantes do livro que não são explorados ou que são pura e simplesmente ignorados. Como a final de Quidditch, da qual só é retratada a abertura do jogo, e a primeira tarefa, da qual só surge a prestação de Harry Potter.


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Passando as já esperadas adaptações do realizador Mike Newell, porque afinal é impossível reproduzir fielmente a obra de J. K. Rowling à imagem da imaginação de cada leitor, destaque para as novas personagens Cedric Diggory (Robert Pattinson) e Moddy Olho-Louco (Eric Sykes), que entraram na perfeição na equipa representada por Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione), e Rupert Grint (Ron Weasley). Robert Pattinson encarnou por inteiro a personagem de Cedric: o rapaz discreto, simples, modesto e honesto, bondoso e ingénuo, preferido da escola de Hogwarts pela sua destreza física e inteligência, e Eric Sykes vestiu o papel de Moddy Olho-Louco em toda a sua agressividade e segundo o ideal de "vigilância constante" do ex-auror.


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Este novo filme de Harry Potter prima pelo acentuar do drama e do realismo, marcando a viragem para um Harry Potter menos infantil e mais maduro, numa época que espera mais confrontos e mortes para a vida do jovem feiticeiro.
Pelo seu drama e fantasia, é sem dúvida um bom filme para os leitores do letrasoltas. Aconselhado pelo staff himself!

sábado, novembro 26, 2005

Coca-cola?!!

"O que chamamos de felicidade no sentido mais restrito provém da satisfação (de preferência, repentina) de necessidades represadas em alto grau, sendo, por sua natureza, possível apenas como uma manifestação episódica. Quando qualquer situação desejada pelo princípio do prazer se prolonga, ela produz tão-somente um sentimento de contentamento muito ténue. Somos feitos de modo a só podermos derivar prazer intenso de um constraste, e muito pouco de um determinado estado de coisas."

Freud, "O Mal-Estar na Civilização"


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Uma forma muito erudita, cara e xpto de dizer que o fruto proibido é o mais apetecido mas...depois da primeira trinca, perde o sabor. Como uma pastilha, como um bolo de chocolate. Porque acabamos sempre por perder o gosto do tacto e do paladar do nosso fruto preferido quando é a única coisa que temos em casa. (Eu já não gosto de coca-cola. Quero sumo de maracujá!)

quarta-feira, novembro 23, 2005

Um vazio de mim

"...E ter medo como dantes,
De acordar a meio da noite,
A precisar de um regaço."


Mafalda Veiga, "Uma noite para comemorar"


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Há noites que parecem não ter fim. Hoje até oiço os ponteiros do relógio contando cada segundo... Tic tac, tic tac... E o bater do coração que bate no seu compasso... Tum tum, tum tum... Parece que a minha alma não quer mergulhar no silêncio da noite. Os meus olhos já não sabem fechar, algo empurra as minhas pálpebras e me sacode de novo para o escuro do meu quarto. E nem a escuridão e a melodia monótona do meu relógio acompanhada pelo bater do meu coração parecem aborrecer e cansar o turbilhão de pensamentos e imagens que percorrem a minha mente, numa maratona de momentos que fugiram de mim e se perderam no tempo.
Encolho-me e enrolo-me nos lençóis, aconchego-me mais na almofada, mas nada parece parar a minha inquietude. E não há lágrimas nem nervosismo... Simplesmente, algo falta... E não é nada nem ninguém... Ou se calhar é tudo e todos... Ou talvez seja apenas eu. Algo que me faça sorrir, chorar, querer, sonhar. Perdi o sonho. Já não sei sonhar. Todos os heróis morrem, toda a inocência se perde, toda a simplicidade é esquecida. E ficam as minhas mãos cheia de nada, os meus olhos despertos, a minha mente inquieta.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Sufixação


O ser reduz-se à sua insigificância.Permanecemos na secção de perdidos e achados.Perdidos ou achados?Permanentemente desejantes, delirantes, ofegantes e outros -antes (ou depois) que nem sei. Somos sufixos, isso mesmo! Eureka! Sufixos de um radical inaudito. Quem nos sufixa?Deus?A vida?
Se Deus não existe, então é a mentira mais credível de todas. Há milhões de pessoas a acreditar. Será que Deus paga os ordenados a tempo?Dos capangas que matam em seu nome?Talvez lhe esteja a escapar alguma coisa. Não há capangas para lhe tirarem a cera dos ouvidos.
Supono que também seja um mal genérico de cataratas. Nós não vemos bem. Ele não ouve bem. Precisamos de reinventar uma linguage.

-Mas que raio de sinais são esses que estás a fazer? Pára quieta!
- Estou a inventar uma linguagem!
-A linguagem da loucura?
-Talvez...

A loucura é um bicho da seda trancado numa caixa de sapatos, sem buraquinhos para resirar. A uma dada altura a loucura reprimida desfalece, sem poros por onde se libertar. O bichinho da seda adormece.Para sempre. Schiuuuuuu!Não façam barulho. Talvez o bichinho da seda acorde um dia. Ou então não.
Perdi o meu EU. Oh mnha senhora vá À secção de perdidos e achados. Vá, não se aflija. Tenha calma. Tudo vai ficar bem.
Tu estás aqui.Tudo vai ficar bem

A minha primeira notícia!

Bem, isto pode parecer presunção, mas como eu ainda nem sei como está esta primeira tentativa de notícia, isto serve apenas para partilhar com vocês este momento histórico, com as alusões às imagens que serão expostas e tal... Façam figas por mim! Vou enfrentar o grande monstro da comunicação social...José Rodrigues dos Santos!!!


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Ataque Israelita na Faixa de Gaza

Após uma noite de bombardeamentos, forças israelitas atingem um campo de refugiados.

(Quinta imagem: Sangue na rua. Homens transportam feridos)

O campo de refugiados de Jabalya foi o epicentro recente dos ataques israelitas. Uma multidão foi atingida por um disparo de um tanque após horas de combate perto do campo de refugiados. A população ajudava os bombeiros a apagar o incêndio de um edifício comercial, provocado pelos confrontos, quando foi surpreendida por um novo ataque israelita (Segunda imagem: Bombeiros enfrentam incêndio num edifício). (Terceira imagem: bombardeamento a decorrer. Bombeiros fogem do local; Sexta imagem: Homens a correr).

O ataque a este forte posto de militantes islâmicos poderá ter surgido como resposta ao atentado suicida de um bombista num autocarro em Haifa. O atentado vitimou 15 pessoas na cidade portuária israelita. O bombista foi identificado como sendo Imran Salin Al-Qaewasmeh, um activista de 21 anos do grupo militante islâmico Hamas. No corpo do bombista suicida foi encontrada uma carta a elogiar os atentados de 11 de Setembro. Os israelitas não acreditam que a operação de Jabalya tenha sido a resposta pelo atentado de Haifa, mas o seguimento de uma ofensiva lançada contra militantes há duas semanas.

Entre as vítimas de Jabalya encontram-se dois repórteres da Reuteurs, um homem de 60 anos e um polícia. Pelo menos 40 pessoas foram feridas em combates de campo, 3 com gravidade, sob o fogo de metralhadora dos helicópteros israelitas, e por dezenas de tanques militares. (Primeira Imagem: Imagens de Gaza com mísseis a serem disparados.)

terça-feira, novembro 15, 2005

Laissant la musique parler pour moi...


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"On a parcouru le chemin,
On a tenu la distance,
Et je te haïs de tout mon coeur,
Mais je t'adore encore.

On a parcouru le chemin,
On a souffer en silence,
Et je te haïs de tout mon coeur,
Mais je t'adore encore."

"Le chemin", Kyo

Regarde-moi. Même pas l'ombre d'une larme. Je saigne encore, mais j'ai tué les cries d'un coeur inquiet dans ma solitude. Je suis calme mais c'est vrai que...

"...Je veux juste une dernière danse
Avant l'ombre et l'indifférence
Un vertige puis le silence

Je veux juste une dernière danse"

"Dernière Danse", Kyo

En tout cas, j'ai beaucoup appris...

..."J'ai pardonné et j'ai fermé les yeux, j'ai appris à rêver,
Et j'ai pardonné et j'ai fermé les yeux sur ma réalité"

"Pardonné", Kyo

J'ai fermé mes yeux, j'ai fermé mon coeur, mais je marche encore, je crois encore. Je ne pleure plus, seulement un peu par dédans.

(La musique chante la confusion d'une âme perdue.)

quinta-feira, novembro 10, 2005

Arraianos!



Ah e tal são arraianos e tiram barro não sei de onde...
Notícia de última hora: A arraianice pega-se! O contágio é efectuado através de gargalhadas enlouquecidas e histórias hilariantes. O tempo de incubação do vírus depende depende do organismo. às palavras wech wech (código dos malfeitores) as coisas começam a ficar perigosas.
Passo 1: Como identificar o arraiano? O arraiano bebe bejecas em esplanadas de faculdades. Uns há, com ar de bolachinha maria apetitosa, outros Rasta Fari ou Erasmus in the house; ainda aqueles com gosto pelas cores claras e pela meinha branca, não podendo faltar o belo do piercing; e os outros que deixam apontamentos nessas mesmas esplanadas.
Passo 2: Como actuam os arraianos? metem-vos um greenpeace, um TGV, uma bombinha (e outros ) debaixo dos queixos e arrumam com vocês. O sangue arraiano é composto por 90% de álcool e 10% de sangue azul.
Passo 3: Como vencer um arraiano? Talvez seja melhor juntares-te a ele.Sim, mesmo que o teu mestre coreano de artes marciais, chamado Tasakitasalevar , te tenha dado o cinturão negro. Cuidado. ELES "ANDEM AÌ". RUN FOR YOUR LIFES!
Se és um arraiólico, junta-te aos arraiólicos anónimos. Se não sabes o que fazer, esta mensagem é para ti: vai a wwww. bubadeiradocaneco.pt. Ligue já. Não espere mais. A esta altura a sua família pode já estar contaminada.
Afinal de onde é que se tira o barro?


loool uma piadinha para os amigos arraianos. Beijinhos para a minha grande amiga faty e para os queridos meninos com raízes na Aldeia Velha.

terça-feira, novembro 08, 2005

È uma tanga!



O amor é uma grande tanga. Dizes tu no fechar de uma conversa. Que abre logo outra. Lembras-te que te disse que queria escrever textos daqueles que fazem rir? Textos com cócegas de brinde. Mas acho que não sou capaz. Porque fiquei a pensar na tua frase de tanga, sobre a treta, a merda que é o amor. E vim com ela no comboio. E ela veio comigo no carro. E ainda ali estava quando me sentei na cadeira. Inerte, silenciosa, expectante. Mergulhei nos “para sempre” que não passaram de “por agora”, nos “amo-te” que não passaram de reles histórias de engate, mais velhas que a avózinha. E o lobo mau quer comer o capuchinho. Sim, eu gosto de contos infantis. E lá está o lobo mau À espera para entreter a avózinha e comer o capuchinho. Só que quase nunca aparece um lenhador para resgatar as pobres criaturas da barriga cheia do lobo. Às vezes o amor está na barriga e não no coração. E quando o amor está abaixo da barriga?
No fim o capuchinho vai com a cesta vazia para casa. A chorar com ar perdido. Nunca servem de nada as lágrimas. Deixam tudo vazio na mesma. Pra que é que estamos sempre à espera de velas e flores e lamechices despropositadas? E a cada nova desilusão não deixamos de acreditar nisso. Mesmo que as frases feitas nunca mudem. Ficamos com olhinhos de carneiro mal morto numa espécie de “auto-éden”, de nirvana, a sentir todo o nosso corpo balançar e a achar aquela pessoa À nossa frente tão perfeita e a sentirmos tanto medo que ela entenda esse nosso medo. De que ela nos critique, nos ache feios, medo de que nos veja despentados, com as unhas grandes. Um dia acabam os medos. Puff. Essa pessoa farta-se de nós. Fez-se o chocapic. Mas já não temos chocolate. Dizemos “estou-me a cagar” e viramos as costas. E lá vai mais um amor pela janela. De repente passamos de Deuses a Bruxos e sentimo-nos as pessoas mais horríveis deste universo numa parafernália de ideias estapafúrdias. “Ele é um cabrão”. “Ela é uma vaca”. E do amor só restam insultos e versões mal contadas e recontadas.E recontadas. E recontadas. E recontadas. Ups. O gravador avariou. Fico num cantinho escuro a pensar nestas coisas. A comer bolachinhas e a molhá-las no leite. Num refúgio só meu. Grande tanga mesmo. È a porra da vida. Pequenos prazeres e grandes sofrimentos. Pequenos momentos de grande felicidade em troca de dor e sofrimento. Vendes a alma ao diabo. Todos os dias. E um dia esqueces ou finges que esqueces. Que inferno! C’est la vie! Sim..sim... ah e tal a vida! Pronto não me apetece escrever mais.

domingo, novembro 06, 2005

Olhos...


1+1 são 2. 2+2 são 4. Depois experimentei fechar os olhos por cinco segundos e agarrar-me ao corrimão da escada. Não parecia difícil, mesmo só conseguindo ver (ou não ver) uma floresta negra adensada, um vazio de luz, um poço de trevas. Dei um passo de cada vez, tacteando com o pé para saber quando devia ter cuidado ao mudar de degrau. A seguir abri os olhos, lá estava a escada, da mesma cor de há cinco segundos atrás. Cinzenta e meio suja de nódoas. Das crianças com os seus chocolates. Das senhoras idosas e das suas compras. Da vida a passar e a fundir-se nos degraus. 3+2 são 5. Tinham sido só cinco segundos. Matemática tão simples.
E quando a equação se complica? Quando a nuvem-negra nos persegue e nos domina num segundo interminável? Pensando no caso, tinha demorado o dobro do tempo a descer os degraus do que se tivesse os olhos bem abertos. Todos os meus fantasmas e os meus medos mergulhavam naquele fundo sem luz, na simbiose negra da cor sem cor. Agora vendo tudo à minha volta, basta correr e até saltar dois degraus de cada vez. 3+3 são 6. 6x5 são 30. E se a equação fosse para toda a vida? Se os olhos fossem como um relógio avariado? Daqueles que já não dão horas nem nada, mas que continuam lá por casa, à espera de um dia de S. Nunca em que os ponteiros voltarão a oscilar. E se assim fosse com os olhos? Se eles deixassem, de repente, de se ligar ao cérebro e de nos trazer a imagens? E ficassem ali, permanecessem ali mas não servissem para nada? Ficassem por não ter para onde ir, à espera de um não-dia em que voltassem a ligar-se ao mundo. Tanta estranheza.
Voltei a cerrar as pálpebras. Concentrei-me no cheiro das coisas. Um aroma adocicado, misturas de perfumes daqueles que por ali passam. Cheiro a mofo também, o prédio é antigo. Mas no fundo isto nada me diz, ou em nada me ajuda. Porque o olfacto é apenas um acompanhante do ver. Aperitivo antes do prato principal. Porque os olhos são o prato principal. A não ser naqueles enleios de amor em que quero tanto não ver e sentir mais, mais , muito mais, como se a visão me dispersasse, me atrapalhasse e me distraísse da verdade do tacto e do sentido.
Para quê as galerias de arte se ninguém as pudesse ver? Para quê o aprumo do reinado das gravatas, a consonância das cores, se não as pudéssemos distinguir? Para quê o medo e a vergonha da nudez?
Já tinha pensado nisto. E, no entanto, nunca tinha pensado nisto. Há tanta coisa que não saberia fazer. Ou não poderia fazer. Ou teria de aprender a fazer de outra forma. Nem sequer poderia reler este texto. As letras já não seriam precisas. As montras das lojas poderiam ser destruídas.
O olhar dos amantes, as suas expressões não poderiam ser vistas. Apenas as mãos, a tocar o rosto. Está a chover. E tu não tens olhos. Mas ouves a música da chuva. Talvez nunca a tenhas apreciado. Achas que se nós não víssemos conseguíriamos ter outro tempo? Parar com estas correrias desmedidas? E quem é mais cego?Quem vê ou quem não quer ver? Tantas vezes tens vontade que te arranquem os olhos. Porque a dor de ver a miséria deste mundo é forte demais. Porque a dor dos olhares de indiferença é perpétua.
Imagens.Imagens. Em catadupa e sem parar. O mundo não pára. O show continua. Às vezes os nossos olhos são mesmo relógios avariados. Neste caso desregulados. Vêm mas não vêm. Não vêm o que é preciso. Não sentem o que é preciso. 5+5 são 10.

(Texto inspirado no "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago)

Eternal Sunshine Of The Spotless Mind


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"Quão ditoso o destino
da irrepreensível vestal!
O mundo esquecendo
Pelo mundo esquecido
Eterno e solarengo brilho,
O do espírito imaculado,
Cada prece aceite,
Cada anseio conformado
."

Citação de Alexander Pope em "Eternal Sunshine Of the Spotless Mind".

And I will not erase you, because as painful as it is to remember you, there are moments that shouldn't be erased. My spotless mind won't sunshine eternally with your smile, but I'll keep it somewhere safe so it won't be lost in my numb self-existence.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Já não és o meu mundo azul...

Ainda não te consigo chamar pelo nome, mas já apaguei o azul do teu beijo. Já não sinto a tua falta, porque desapareceste com o céu azul e deixaste a tempestade, a noite que amanhecerá em arco-íris. Mas sim, ainda não te consigo chamar pelo nome. Mentiria se dissesse o contrário. Como se pode dar um nome, banal, vulgar, ao bater melodioso de um coração num olhar, à alma que grita por um beijo? Como se pode dar um nome, que tantas bocas podem pronunciar, que tantas bocas podem chamar, a uma melodia que era eu que tocava, e cantava? Era eu a tua boca, o fogo que vivia em ti, era eu a magia de um sonho azul... Mas aspiraram da tua alma o brilho de uma paixão azul forte, azul-céu, azul-mar, azul-coração, e hoje já não te posso chamar o meu mundo azul... e ainda não te sei chamar mais nada, mesmo tendo perdido a ânsia do calor da tua voz... E eu sei, eu sei que a culpa foi do meu olhar castanho tremeluzente, inquieto e nervoso. Eu voava contigo no nosso beijo arco-íris, mas sozinha perdia todas as cores e só sabia a cinzento... e tu viste o meu olhar castanho tremeluzente cada vez mais cinzento, e também perdeste o teu azul. E agora dói porque já náo somos o pôr-do-sol no mar, dia de Verão... Somos a neve na montanha verdejante, a chuva do primeiro dia de Outono...

E tu és o Sol escondido entre a nuvem que sou eu, tu desapareceste na sétima onda, a maior... tu deixaste de brilhar por causa do meu olhar tremeluzente, que afinal era o medo que eu nunca tive de perder o teu calor, o meu Sol de Verão. O medo que afinal tornou a minha alma um lago gelado, em que todos os narcisos desapareceram...