quarta-feira, dezembro 28, 2005

Mundo embriagado


E a poesia foi encarcerada,
No dia em que o sol já não raiou
E a poesia ficou sozinha,
Numa jaula...
Anestesiada e abandonada.
E as palavras perderam os eu sentido,
Porque a poesia não são palavras,
São os sentidos obscuros
Na boca das palavras,
E a poesia tornou-se ditadura,
As vozes em uníssono
Entoaram a mesma canção,
Os mesmos versos descoloridos
Que alguém colocou numa fotocopiadora,
E a poesia surgiu em série
Igual e sem sabor,
E os Homens perderam o paladar,
Refugiaram-se na bebida,
Para apaziguar a falta da poesia.
Ela que é revolta,
Ela que é política e anti política,
Ela que é flor,
Não pedra,
È semente
E não jazigo.
E um mundo bêbado
Sem reflexos,
Deixou-se ficar
E não fez nada,
Dançaram
Por cima dos cadáveres,
E fizeram dos escombros
A sua casa.
Empatia pela apatia,
Os sinos tocaram
Mas toda a gente dormia,
Uma ressaca infindável
Num país em que o sol morreu,
Num universo bêbado
Em que a poesia pereceu
Às mãos dos lobos e lobisomens

sábado, dezembro 24, 2005

Cheiros


O Homem encontra-se com a arte como um refugiado com um abrigo. Em ambos os casos a procura sôfrega de qualquer coisa que nos falta. A vida é ela uma procura esgazeada e perene do que nos faz falta. E o que é que nos faz falta? Eu gostava de mais um metro de tempo, por favor. Antes que o meu sorriso não passe de mais um sorriso a soar a falso na moldura. Antes que para além da moldura já não se ouçam as gargalhadas. Porque realmente o som das nossas gargalhadas demonstra que estamos aqui. Acho que nos torna tão “nós”. Reconheço-te ao longe pelo som das tuas gargalhadas. Se as gargalhadas tivessem odor, que odor teriam as minhas? Talvez um cheiro a geleia de morango e torradas acabadas de fazer. Talvez ainda um odor da manhã, a frescura de flores ou a um perfume qualquer de uma marca que ninguém conhece.
Ris-te muito, como se te fizessem cócegas, rimos os dois enquanto exploramos os corpos a cheirar a desejo carnal, rimos do amor, gozamos com o amor como se ele não existisse. Fazemos troça do que nos apetece. Apontamos pistolas de brincar aos nossos medos e aos amanhãs que nos metem medo. O medo cheira a podre, fruta demasiado madura. Quando deixamos o medo invadir a fruta fica madura, porque não tivemos coragem de a comer. Come a tua fruta. Dá o teu grito. Pega na tua mala mas regressa quando deres a volta ao quintal das laranjeiras que plantámos. Viajamos no quintal a dar voltas sem mexer os pés. Pegas-me ao colo e levantas-me a saia, pousas as mãos pelo corpo. As tuas mãos bailarinas e a tua boca prosa na minha boca poesia.
Eu não quero falar de amor, quero fazer troça dele. Cuspir-lhe na cara com nojo. Meu amor, vamos plantar laranjeiras e as tuas mãos aos tropeções no meu corpo. Sim, assim está bem. Vamos dançar, anda. Larga as malas. Entra no labirinto do meu corpo, vamos dançar. Até o sol rodopiar e não saber a que horas nascer ou a que horas se pôr. Anda vamos confundir o sol meu amor. O sol cheira a incêndio, fogo, labareda. Se fosse um perfume o sol seria um perfume adocicado, intenso, forte, puro. Se o sol fosse uma bebida era absinto a queimar na garganta.
A paixão cheira aos nosso perfumes misturados. Cheira a cera das velas que acendeste para iluminar o tempo do amor, cheira a incenso, cheira às minhas flores favoritas. Perguntas-me que aromas se desprendem da vida A vida tem o aroma dos cozinhados da minha mãe. Oregãos, tomilho, canela. Açafrão, baunilha, menta. Vou mudando os igredientes e aprendendo alguns truques.
Olho de relance para a porta e tu ainda estás lá. Com a camisola que te fica tão bem. Os teus olhos riem do prazer de me olhar e me despir num olhar. E sim, essa camisola fica-te mesmo bem.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Aurora

“Esta canção do Homem e da sua Mulher é de todos os lugares e de lugar nenhum; podes ouvi-la em qualquer lado, a qualquer altura. Pois onde quer que o sol nasça e se ponha, na agitação da cidade ou sob o céu aberto do campo, a vida é sempre igual: umas vezes amarga, outras vezes doce.”

"Aurora: a canção de dois humanos", de F. W. Murnau, 1927 ("Sunshine: a song of two humans")


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Uma obra clássica de Murnau, que marca o ponto de viragem para o cinema tal como o conhecemos hoje. O desenvolvimento da fotogenia, da expressividade, num filme mudo e a preto e branco. A superação de duas artes, a fotografia e a pintura, num brilho sem cor. E a história da vitória de romance idílico face à superficialidade da carne, de um adultério. Uma mulher que perdoa o homem que a quis matar para ficar com a amante, impensável nos dias de hoje. Surreal, fantasioso, "Aurora" tanto pode ser considerado um filme de representação exagerada e intriga irreal como o embalo numa surrealidade com um doce sabor a sonho. Considerado o filme mais belo de todos os tempos.

Eugénio de Andrade


A boca,

onde o fogo
de um verão
muito antigo
cintila,

a boca espera

(que pode uma boca
esperar
senão outra boca?)

espera o ardor
do vento
para ser ave,

e cantar.

Poema de Eugénio de Andrade

Filme

Às vezes tento recordar aquele tempo, sabes? Mas tudo me parece condensado num dia, como num filme, daqueles que vivemos intensamente mas passado uma semana não nos lembramos. Foste o filme que se vê pelos actores, e entraste na minha vida tão depressa como dela saíste, deixando um buraco negro no tempo em que a partilhei contigo. E hoje, tudo o que eras tu, fotografias e objectos, que me faziam perder-me na máquina do tempo dos nossos momentos, parecem-se ter desvanecido na memória de outra pessoa. Escondi uma coisa que me deste uma vez, para a minha mãe não ver...e hoje não a encontro. E aposto que não ia chorar se a encontrasse sem estar à espera. Porque eu já não choro em todos os filmes. Sou mais exigente agora, porque o cinema está mais caro. Vejo todas as sinopses, resumos e críticas de entendidos, e todos os actores que nele entram. Até ando a tentar realizar os meus, nos quais contracenarei também, com papel de destaque e bastantes deixas, num estilo nada comercial e com um toque de comédia. E não é para tu poderes escolher ver ou não ver. É só para mim, e para o elenco.

Das unheimlich?

Madrugada, e algo me leva a martelar este teclado. É o irritante das unheimlich, como diz o professor de cultura contemporânea nas suas adoradas citações alemãs de Freud. Sim, das unheimlich, a inquietante ansiedade, o pesadelo de ver nascer no presente pequenos momentos do passado, perdidos em bocadinhos de nós e reencontrados num olhar reflectido no espelho. Mas não. Não vou soltar letras demais hoje. Ficará assim, indefinido, e metaforizado outra vez. E o das unheimlich preso no espelho e nas teorias de Freud. Não gosto da língua alemã, e por isso não quero vocábulos alemães na minha vida. Sobretudo algo tão estranho como das unheimlich, que tenho de ver ao caderno cada vez que tento escrever. Acabou-se o das unheimlich, foi apagado do meu vocabulário e riscado da minha folha. Será carpe diem agora. Cliché sim. Mas pelo menos não é alemão, nem quer dizer inquietante ansiedade.

domingo, dezembro 18, 2005

Tapete mágico...


Eu lembro-me que me costumava sentar no tapete da sala, sossegada e em silêncio, fascinada com aquele clássico, com a lâmpada mágica que concedia ao Aladino os três desejos. E lá estava o Aladino e a princesa a voarem num tapete mágico para um mundo ideal... Eu ficava a rodopiar, a dançar com os olhos fechados enquanto músicas de magia enebriavam tudo em volta. Por vezes fico nostálgica e triste, porque sinto saudades daqueles momentos. Agora os sapatos de menina já não servem. O pé cresceu. Mas o aladino não. Ficou a voar no seu tapete e a salvar princesas em apuros. E os sapatos já não são mágicos. Como os da menina do feiticeiro de Oz. Perdemos a capacidade de acreditar. Porque o mundo que era tão nosso se torna abismal, ilusório, cheio de armadilhas e artimanhas.Criamos os nossos truques de mágicos adultos e tudo passa. Mas o tapete continua aqui. A vida vale a pena porque pelo menos uma vez na vida o conseguimos fazer levantar voo. E ele deixa de ser só um tapete a largar pêlo na sala. A vida pode valer a pena por esse segundo em que uma qualquer energia faz o tapete pairar no ar. A minha vida já vale a pena.

Quando o tapete levanta voo os contornos das coisas mudam, o céu parece mais azul e apetece assobiar baixinho. Não importa já que as palavras sejam clichés, porque não há palavras. Também não quero saber da pobreza lexical deste texto ou da sua fraca originalidade. Eu senti, e nesse mundo sem palavras em que eu o senti, nada posso descrever. E não há artimanhas ou metáforas que transformem o que o meu corpo e o meu cérebro sentiram e pensaram em uníssono durante alguns minutos. E se dissesse que basta um olhar, bastam duas mãos enlaçadas ou um beijo? E se dissesse que não, não é só algo físico mas que há ali efectivamente "qualquer coisa?". Acho que ninguém iria entender que a vida já vale a pena. Que naquele segundo o coração quase não teve espaço e o pensamento não sabia o que pensava. E eu que não epserava nada. E eu que vim aqui esperando quase nada... Foi um "tudo".

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Memórias, sensações...e sonhos

Memórias...momentos passados, pequenos instantes de nós e dos outros, que perdem o cheiro e o toque, e que vão desaparecendo em nós.

Sensações...cores do presente, o amanhecer de um sorriso, uma gargalhada em uníssono, cantarolar a mesma melodia...

Sonhos... o nascer do sol, o instante que antecede um sorriso, um olhar que se funde no silêncio de um desejo...

Memórias, sensações e sonhos. Passado, presente e futuro.

O passado é um túnel de luzes pequeninas que se vão apagando à medida que nos afastamos. Aquele túnel no qual quando entramos à força caimos porque já não tem luzes. O agora é o presente, e o presente não é um túnel escuro. O presente é um dia de verão solarengo e quente, é um arco-íris depois de uma tarde chuvosa. E o futuro é o túnel que vemos ao longe, indefinido, sem formas nem cores, mas cuja luz nos ofusca... (Se não carregarmos no interruptor no presente.)

terça-feira, dezembro 13, 2005

Apatia


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Às vezes pareço cair numa sonolência de alma, num adormecimento existencial que não consigo abanar. Apetece-me deixar-me embalar pela música e cair num sono quente e vazio. Um sono sem sonhos nem acordares estremunhados, sem luzes súbitas e choques de cores. Um sono sem aquela voz que é minha, a ansiedade corrói o que eu sou. Sono. Apatia. Alienação...de mim.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Alma borboleta


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Paisagens que giram sem parar, rostos sem nome de olhos perdidos girando com a velocidade estonteante do suceder das cores dos luares e sóis nascentes que fogem... no silêncio. Até que um bater de asas rompe num sussuro o casulo de olhares mudos. E voa, voa, voa... Não deixes de voar. Alma borboleta.

"Voá borboleta"

(...)

Borboleta, borboleta
Abri bôs asa e voá,
Mesmo se vida bai amanhã
Borboleta...
Se um prende vivê ess vida
Cada dia voá

É um mensagem pa tude gente
Qui tá sobrevivê,
Tude alguêm sim força pá voá pá vivê
Lá na mei de escuridão,
Nôs podê encontra um razão,
Só nôs credita
Nôs podê voá

(...)

Música e letra de Sara Tavares

sábado, dezembro 10, 2005

Garden State

"Garden State", um filme realizado, produzido e escrito de Zach Braff, protagonista da série "Scrubs" da Sic Radical. Zach Braff protagoniza o elenco, juntamente com Natalie Portman.


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Andrew Largeman (Zach Braff), é um actor frustrado que vive submerso na medicação receitada desde os seus 10 anos, pelo psiquiatra que é o próprio pai. Arrastando-se como trabalhador de um restaurante vietnamita, a certa altura recebe a notícia da morte da mãe, e, após 10 anos, volta a New Jersey, a sua terra-natal.

A apatia impera em Largeman, tanto no funeral como no reencontro dos seus amigos de infância, até que, numa sala de espera de uma clínica, conhece Sam (Natalie Portman), uma jovem extremamente faladora, e ao mesmo tempo uma mentirosa compulsiva, que o cativa de imediato. E a lucidez começa a voltar a Large, à medida que vai conhecendo Sam e aprendendo a viver sem os medicamentos.


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(Deixa a medicação da tua alma e corpo, afasta-te das tuas características (in)dispensáveis e (des)necessárias frustrações e complexos. Liberta-te de todas as prisões de ti.)

Are you toking to me?


E hoje estamos aqui para falar dos tokings, dos kolmis, ou outros nomes (nos quais só difere a operadora, porque o serviço é sempre o mesmo). Ora bem, os kolmis, tokings e afins serviços do “crava”, vieram em primeiro lugar, dar uma luz ao fundo do túnel para aquelas pessoas que, como eu, costumam marcar o número do saldo (*#123# para a tmn) e repararam (mais uma vez) que tão sem cheta. E ficar sem cheta no meio do nada, numa província qualquer rural, a precisar-se de uma boleia, não é nada agradável. Ora bem, manda-se um kolmi ao pai, ele liga e tudo tratado. O kolmi é a minha nova forma de comunicação com o pai. Aliás ele é que comunica (liga lá paizinho, liga). Mas os tokings e kolmis e afins podem ser muito irritantes. Se a mensagem diz lá “o nº tal e tal pede para lhe ligar” porque é que as pessoas usam isso para dar toques umas às outras? “Are you toking to me?” era um famoso slogan da vodafone sobre estas “modernices”. Há casais, veja-se bem (e desculpa se este é o teu caso jovem) que passam o dia inteiro non stop a mandar tokings (tipo ... tou vivo!Deve ser!) .E as discussões mais giras devem ser as novas discussões do toking “amorzinho fofuxo não me mandaste tokings durante cinco minutos”; ao que o namorado responde “ fofinha linda, meu bolinho de noz, estava a fazer xixi”; “amorzinho lindo fofuxo tu estavas com outra”, “não estava nada”; “estavas sim não mintas” e blá blá blá. E até se inventou um novo código para os desesperados do telemóvel que não têm um cêntimo. “Olha queres ir sair logo À noite?Se sim manda um toking, se não manda 2”. Isto é o grande momento para dizer à moda do MSN: LOL (grande lolada mesmo). “Amas-me meu amorzinho?Se sim manda um toking, se não manda dois.”. Portanto amiguinhos, se for o Brad Pitt mande um toking, se for a fátima (ísis) não mande porque pode chular os “gaijos” (sim com i) do sapo messenger e mandar mensagens à borla, se for algum chato que não tem mais do que fazer enfie o telemóvel....... no bolso e esteja quietinho. Ahh, aliás, lembrei-me mesmo agorinha: secalhar o toking é só uma maneira de dar treino aos dedos, o polegar já não pode tar quieto, é a febre da sms. Oh jovem, pronto, que maldoso!Pensaste logo coisas quando falei em treinar dedos, realmente!Bem acho que vou andando que está qualquer coisa para aqui a vibrar, deve ser dos tokings da maria a dizer que a manuela lhe mandou um toking para ligar ao fábio para irmos todos ter com a inês que manda um toque quando chegar.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Mal à la gorge

Et je me taïs face à la peur, même avec tellement de choses à dire. Qu'est-ce qu'ont fait quand-t-on a peur mais on a un désir fou de vivre, de parler, d'être heureuse, quand-t-on sait qu'on a trouvé quelque chose de spécial? Qu'est-ce quand-t-on fait si même dans notre petit coin de sentiments, notre refuge, où on dit ce qu'on veux, on sens la honte, et on écrit en langues différents pour se sentir plus protégé, même si on sait qu'on fait des erreurs? Ma pensée vole, ma bouche est fermée, mes pieds sont assis dans la terre, mais mon âme a perdu tout ce qu'elle en avait sure...

Là je me sens ridicule...comme toujours dans ce blog...on dirait que je suis très sensible et que je me sens toujours la victime par ce que j'écrit, mais aujourd'hui je me présente comme une personne normale, et pas comme une personne qui pense qui écrit bien (mais qui fait beaucoup erreurs en autres langues). Et je me sens encore plus ridicule maintenant... c'est comme je disais: non, je ne suis pas la personne qui vous connaissais par ce blog, je suis très mauvaise et stupide... non... aujourd'hui que me sens très normale... et je voulais seulement partager ça, si ridicule que ça peux aparraïtre...

Et je me taïs. Encore. Avec la peur. Encore une fois. À la prochaine...

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Magnolia

"Let's make a deal. I'll tell you everything and you'll tell me everything, and maybe we can pass throw all bullshits and lies that kill all the people."


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"Magnolia", de Paul Thomas Anderson, com Tom Cruise e Jullianne Moore. Filme nomeado para três Óscares (Melhor argumento original, Melhor tema original "save me", e Melhor actor secundário, Tom Cruise), e um Vencedor do Globo de Ouro Melhor Actor Secundário, Tom Cruise.


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There's no such things as coincidences, but strange things do happen. Like the story of the hanging of the Green, Berry and Hill, that killed the pharmacist of the Greenberryhill's Pharmacie. Like the story of the kid that threw himself of the top of his flat, and ended up murdered by his mother, that by instance was trying to shot his husband. Strange things happen. Life is a movie.

domingo, dezembro 04, 2005

O "coiso"


Há uma pergunta que me tem ficado no cérebro sobre os rapazes. A velha história do preservativo.Os rapazes de todas as idades, desde aqueles que não têm uma bocadinho de barba aos rambos de portugal, quase todos se pautam por ter um preservativo na carteira. Sim, eu já vi muita carteira e lá está!Eureka!No meio de cartões e cartõezinhos, notas e notinhas, o preservativo de uma qualquer marca de mercado. O mais engraçado porém, é que na maioria das vezes, o preservativo fica ali, sozinho e abandonado, até passar o prazo de validade. Depois ainda há quem me venha dizer que é um preservativo de estimação ou para recordação!Mas recordação de quê?Alô! Alô!Se não foi usado não há nada para recordar! Muitos pseudo machos do nosso país têm lá o preservativo, talvez para se sentirem protegidos ou para terem a esperança (aflitiva e desesperada), que alguma mulher no seu perfeito juízo, e não acabada de sair de uma instituição mental, vá partilhar o leito (ou o banco de um carro, ou a mesa de bilhar) com eles. Até as crianças de 13, 14 anos têm o “coiso”, o preservativo, o contraceptivo dentro da carteira! Pronto, prevenção sim, agora preservativos com bolor e fora do prazo não! È que só vos fica mal rapazes!Já viram uma miúda a mexer na carteira e encontrar o “coiso” cuja data é 1986? Vai certamente pensar que há muito tempo que o “animal” está em reclusão forçada. Não entendo esta mania do preservativo que nunca vai ser usado.Um dia na Hora H (em que o torpedo se prepara para o lançamento) irão comprar um preservativo na farmácia, e o irónico é que o preservativo da carteira vai continuar lá! Não sei, talvez seja algum fetiche... Talvez seja só para mostrar que sabem o que é um preservativo e o que é sexo. Ai ai ...este país!

terça-feira, novembro 29, 2005

Harry Potter and the Goblet of Fire


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As adaptações cinematográficas do best-seller de J.K. Rowling, Harry Potter, deixam sempre a desejar. O recente filme, "Harry Potter and the Goblet of fire" ("Harry Potter e o Cálice de Fogo"), adaptado do quarto livro da sequela de Rowling, não é excepção. Os cortes e os saltos sequenciais da narrativa original são flagrantes, e apesar do longo tempo de duração do filme (cerca de três horas), há pontos importantes do livro que não são explorados ou que são pura e simplesmente ignorados. Como a final de Quidditch, da qual só é retratada a abertura do jogo, e a primeira tarefa, da qual só surge a prestação de Harry Potter.


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Passando as já esperadas adaptações do realizador Mike Newell, porque afinal é impossível reproduzir fielmente a obra de J. K. Rowling à imagem da imaginação de cada leitor, destaque para as novas personagens Cedric Diggory (Robert Pattinson) e Moddy Olho-Louco (Eric Sykes), que entraram na perfeição na equipa representada por Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione), e Rupert Grint (Ron Weasley). Robert Pattinson encarnou por inteiro a personagem de Cedric: o rapaz discreto, simples, modesto e honesto, bondoso e ingénuo, preferido da escola de Hogwarts pela sua destreza física e inteligência, e Eric Sykes vestiu o papel de Moddy Olho-Louco em toda a sua agressividade e segundo o ideal de "vigilância constante" do ex-auror.


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Este novo filme de Harry Potter prima pelo acentuar do drama e do realismo, marcando a viragem para um Harry Potter menos infantil e mais maduro, numa época que espera mais confrontos e mortes para a vida do jovem feiticeiro.
Pelo seu drama e fantasia, é sem dúvida um bom filme para os leitores do letrasoltas. Aconselhado pelo staff himself!

sábado, novembro 26, 2005

Coca-cola?!!

"O que chamamos de felicidade no sentido mais restrito provém da satisfação (de preferência, repentina) de necessidades represadas em alto grau, sendo, por sua natureza, possível apenas como uma manifestação episódica. Quando qualquer situação desejada pelo princípio do prazer se prolonga, ela produz tão-somente um sentimento de contentamento muito ténue. Somos feitos de modo a só podermos derivar prazer intenso de um constraste, e muito pouco de um determinado estado de coisas."

Freud, "O Mal-Estar na Civilização"


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Uma forma muito erudita, cara e xpto de dizer que o fruto proibido é o mais apetecido mas...depois da primeira trinca, perde o sabor. Como uma pastilha, como um bolo de chocolate. Porque acabamos sempre por perder o gosto do tacto e do paladar do nosso fruto preferido quando é a única coisa que temos em casa. (Eu já não gosto de coca-cola. Quero sumo de maracujá!)

quarta-feira, novembro 23, 2005

Um vazio de mim

"...E ter medo como dantes,
De acordar a meio da noite,
A precisar de um regaço."


Mafalda Veiga, "Uma noite para comemorar"


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Há noites que parecem não ter fim. Hoje até oiço os ponteiros do relógio contando cada segundo... Tic tac, tic tac... E o bater do coração que bate no seu compasso... Tum tum, tum tum... Parece que a minha alma não quer mergulhar no silêncio da noite. Os meus olhos já não sabem fechar, algo empurra as minhas pálpebras e me sacode de novo para o escuro do meu quarto. E nem a escuridão e a melodia monótona do meu relógio acompanhada pelo bater do meu coração parecem aborrecer e cansar o turbilhão de pensamentos e imagens que percorrem a minha mente, numa maratona de momentos que fugiram de mim e se perderam no tempo.
Encolho-me e enrolo-me nos lençóis, aconchego-me mais na almofada, mas nada parece parar a minha inquietude. E não há lágrimas nem nervosismo... Simplesmente, algo falta... E não é nada nem ninguém... Ou se calhar é tudo e todos... Ou talvez seja apenas eu. Algo que me faça sorrir, chorar, querer, sonhar. Perdi o sonho. Já não sei sonhar. Todos os heróis morrem, toda a inocência se perde, toda a simplicidade é esquecida. E ficam as minhas mãos cheia de nada, os meus olhos despertos, a minha mente inquieta.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Sufixação


O ser reduz-se à sua insigificância.Permanecemos na secção de perdidos e achados.Perdidos ou achados?Permanentemente desejantes, delirantes, ofegantes e outros -antes (ou depois) que nem sei. Somos sufixos, isso mesmo! Eureka! Sufixos de um radical inaudito. Quem nos sufixa?Deus?A vida?
Se Deus não existe, então é a mentira mais credível de todas. Há milhões de pessoas a acreditar. Será que Deus paga os ordenados a tempo?Dos capangas que matam em seu nome?Talvez lhe esteja a escapar alguma coisa. Não há capangas para lhe tirarem a cera dos ouvidos.
Supono que também seja um mal genérico de cataratas. Nós não vemos bem. Ele não ouve bem. Precisamos de reinventar uma linguage.

-Mas que raio de sinais são esses que estás a fazer? Pára quieta!
- Estou a inventar uma linguagem!
-A linguagem da loucura?
-Talvez...

A loucura é um bicho da seda trancado numa caixa de sapatos, sem buraquinhos para resirar. A uma dada altura a loucura reprimida desfalece, sem poros por onde se libertar. O bichinho da seda adormece.Para sempre. Schiuuuuuu!Não façam barulho. Talvez o bichinho da seda acorde um dia. Ou então não.
Perdi o meu EU. Oh mnha senhora vá À secção de perdidos e achados. Vá, não se aflija. Tenha calma. Tudo vai ficar bem.
Tu estás aqui.Tudo vai ficar bem

A minha primeira notícia!

Bem, isto pode parecer presunção, mas como eu ainda nem sei como está esta primeira tentativa de notícia, isto serve apenas para partilhar com vocês este momento histórico, com as alusões às imagens que serão expostas e tal... Façam figas por mim! Vou enfrentar o grande monstro da comunicação social...José Rodrigues dos Santos!!!


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Ataque Israelita na Faixa de Gaza

Após uma noite de bombardeamentos, forças israelitas atingem um campo de refugiados.

(Quinta imagem: Sangue na rua. Homens transportam feridos)

O campo de refugiados de Jabalya foi o epicentro recente dos ataques israelitas. Uma multidão foi atingida por um disparo de um tanque após horas de combate perto do campo de refugiados. A população ajudava os bombeiros a apagar o incêndio de um edifício comercial, provocado pelos confrontos, quando foi surpreendida por um novo ataque israelita (Segunda imagem: Bombeiros enfrentam incêndio num edifício). (Terceira imagem: bombardeamento a decorrer. Bombeiros fogem do local; Sexta imagem: Homens a correr).

O ataque a este forte posto de militantes islâmicos poderá ter surgido como resposta ao atentado suicida de um bombista num autocarro em Haifa. O atentado vitimou 15 pessoas na cidade portuária israelita. O bombista foi identificado como sendo Imran Salin Al-Qaewasmeh, um activista de 21 anos do grupo militante islâmico Hamas. No corpo do bombista suicida foi encontrada uma carta a elogiar os atentados de 11 de Setembro. Os israelitas não acreditam que a operação de Jabalya tenha sido a resposta pelo atentado de Haifa, mas o seguimento de uma ofensiva lançada contra militantes há duas semanas.

Entre as vítimas de Jabalya encontram-se dois repórteres da Reuteurs, um homem de 60 anos e um polícia. Pelo menos 40 pessoas foram feridas em combates de campo, 3 com gravidade, sob o fogo de metralhadora dos helicópteros israelitas, e por dezenas de tanques militares. (Primeira Imagem: Imagens de Gaza com mísseis a serem disparados.)

terça-feira, novembro 15, 2005

Laissant la musique parler pour moi...


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"On a parcouru le chemin,
On a tenu la distance,
Et je te haïs de tout mon coeur,
Mais je t'adore encore.

On a parcouru le chemin,
On a souffer en silence,
Et je te haïs de tout mon coeur,
Mais je t'adore encore."

"Le chemin", Kyo

Regarde-moi. Même pas l'ombre d'une larme. Je saigne encore, mais j'ai tué les cries d'un coeur inquiet dans ma solitude. Je suis calme mais c'est vrai que...

"...Je veux juste une dernière danse
Avant l'ombre et l'indifférence
Un vertige puis le silence

Je veux juste une dernière danse"

"Dernière Danse", Kyo

En tout cas, j'ai beaucoup appris...

..."J'ai pardonné et j'ai fermé les yeux, j'ai appris à rêver,
Et j'ai pardonné et j'ai fermé les yeux sur ma réalité"

"Pardonné", Kyo

J'ai fermé mes yeux, j'ai fermé mon coeur, mais je marche encore, je crois encore. Je ne pleure plus, seulement un peu par dédans.

(La musique chante la confusion d'une âme perdue.)

quinta-feira, novembro 10, 2005

Arraianos!



Ah e tal são arraianos e tiram barro não sei de onde...
Notícia de última hora: A arraianice pega-se! O contágio é efectuado através de gargalhadas enlouquecidas e histórias hilariantes. O tempo de incubação do vírus depende depende do organismo. às palavras wech wech (código dos malfeitores) as coisas começam a ficar perigosas.
Passo 1: Como identificar o arraiano? O arraiano bebe bejecas em esplanadas de faculdades. Uns há, com ar de bolachinha maria apetitosa, outros Rasta Fari ou Erasmus in the house; ainda aqueles com gosto pelas cores claras e pela meinha branca, não podendo faltar o belo do piercing; e os outros que deixam apontamentos nessas mesmas esplanadas.
Passo 2: Como actuam os arraianos? metem-vos um greenpeace, um TGV, uma bombinha (e outros ) debaixo dos queixos e arrumam com vocês. O sangue arraiano é composto por 90% de álcool e 10% de sangue azul.
Passo 3: Como vencer um arraiano? Talvez seja melhor juntares-te a ele.Sim, mesmo que o teu mestre coreano de artes marciais, chamado Tasakitasalevar , te tenha dado o cinturão negro. Cuidado. ELES "ANDEM AÌ". RUN FOR YOUR LIFES!
Se és um arraiólico, junta-te aos arraiólicos anónimos. Se não sabes o que fazer, esta mensagem é para ti: vai a wwww. bubadeiradocaneco.pt. Ligue já. Não espere mais. A esta altura a sua família pode já estar contaminada.
Afinal de onde é que se tira o barro?


loool uma piadinha para os amigos arraianos. Beijinhos para a minha grande amiga faty e para os queridos meninos com raízes na Aldeia Velha.

terça-feira, novembro 08, 2005

È uma tanga!



O amor é uma grande tanga. Dizes tu no fechar de uma conversa. Que abre logo outra. Lembras-te que te disse que queria escrever textos daqueles que fazem rir? Textos com cócegas de brinde. Mas acho que não sou capaz. Porque fiquei a pensar na tua frase de tanga, sobre a treta, a merda que é o amor. E vim com ela no comboio. E ela veio comigo no carro. E ainda ali estava quando me sentei na cadeira. Inerte, silenciosa, expectante. Mergulhei nos “para sempre” que não passaram de “por agora”, nos “amo-te” que não passaram de reles histórias de engate, mais velhas que a avózinha. E o lobo mau quer comer o capuchinho. Sim, eu gosto de contos infantis. E lá está o lobo mau À espera para entreter a avózinha e comer o capuchinho. Só que quase nunca aparece um lenhador para resgatar as pobres criaturas da barriga cheia do lobo. Às vezes o amor está na barriga e não no coração. E quando o amor está abaixo da barriga?
No fim o capuchinho vai com a cesta vazia para casa. A chorar com ar perdido. Nunca servem de nada as lágrimas. Deixam tudo vazio na mesma. Pra que é que estamos sempre à espera de velas e flores e lamechices despropositadas? E a cada nova desilusão não deixamos de acreditar nisso. Mesmo que as frases feitas nunca mudem. Ficamos com olhinhos de carneiro mal morto numa espécie de “auto-éden”, de nirvana, a sentir todo o nosso corpo balançar e a achar aquela pessoa À nossa frente tão perfeita e a sentirmos tanto medo que ela entenda esse nosso medo. De que ela nos critique, nos ache feios, medo de que nos veja despentados, com as unhas grandes. Um dia acabam os medos. Puff. Essa pessoa farta-se de nós. Fez-se o chocapic. Mas já não temos chocolate. Dizemos “estou-me a cagar” e viramos as costas. E lá vai mais um amor pela janela. De repente passamos de Deuses a Bruxos e sentimo-nos as pessoas mais horríveis deste universo numa parafernália de ideias estapafúrdias. “Ele é um cabrão”. “Ela é uma vaca”. E do amor só restam insultos e versões mal contadas e recontadas.E recontadas. E recontadas. E recontadas. Ups. O gravador avariou. Fico num cantinho escuro a pensar nestas coisas. A comer bolachinhas e a molhá-las no leite. Num refúgio só meu. Grande tanga mesmo. È a porra da vida. Pequenos prazeres e grandes sofrimentos. Pequenos momentos de grande felicidade em troca de dor e sofrimento. Vendes a alma ao diabo. Todos os dias. E um dia esqueces ou finges que esqueces. Que inferno! C’est la vie! Sim..sim... ah e tal a vida! Pronto não me apetece escrever mais.

domingo, novembro 06, 2005

Olhos...


1+1 são 2. 2+2 são 4. Depois experimentei fechar os olhos por cinco segundos e agarrar-me ao corrimão da escada. Não parecia difícil, mesmo só conseguindo ver (ou não ver) uma floresta negra adensada, um vazio de luz, um poço de trevas. Dei um passo de cada vez, tacteando com o pé para saber quando devia ter cuidado ao mudar de degrau. A seguir abri os olhos, lá estava a escada, da mesma cor de há cinco segundos atrás. Cinzenta e meio suja de nódoas. Das crianças com os seus chocolates. Das senhoras idosas e das suas compras. Da vida a passar e a fundir-se nos degraus. 3+2 são 5. Tinham sido só cinco segundos. Matemática tão simples.
E quando a equação se complica? Quando a nuvem-negra nos persegue e nos domina num segundo interminável? Pensando no caso, tinha demorado o dobro do tempo a descer os degraus do que se tivesse os olhos bem abertos. Todos os meus fantasmas e os meus medos mergulhavam naquele fundo sem luz, na simbiose negra da cor sem cor. Agora vendo tudo à minha volta, basta correr e até saltar dois degraus de cada vez. 3+3 são 6. 6x5 são 30. E se a equação fosse para toda a vida? Se os olhos fossem como um relógio avariado? Daqueles que já não dão horas nem nada, mas que continuam lá por casa, à espera de um dia de S. Nunca em que os ponteiros voltarão a oscilar. E se assim fosse com os olhos? Se eles deixassem, de repente, de se ligar ao cérebro e de nos trazer a imagens? E ficassem ali, permanecessem ali mas não servissem para nada? Ficassem por não ter para onde ir, à espera de um não-dia em que voltassem a ligar-se ao mundo. Tanta estranheza.
Voltei a cerrar as pálpebras. Concentrei-me no cheiro das coisas. Um aroma adocicado, misturas de perfumes daqueles que por ali passam. Cheiro a mofo também, o prédio é antigo. Mas no fundo isto nada me diz, ou em nada me ajuda. Porque o olfacto é apenas um acompanhante do ver. Aperitivo antes do prato principal. Porque os olhos são o prato principal. A não ser naqueles enleios de amor em que quero tanto não ver e sentir mais, mais , muito mais, como se a visão me dispersasse, me atrapalhasse e me distraísse da verdade do tacto e do sentido.
Para quê as galerias de arte se ninguém as pudesse ver? Para quê o aprumo do reinado das gravatas, a consonância das cores, se não as pudéssemos distinguir? Para quê o medo e a vergonha da nudez?
Já tinha pensado nisto. E, no entanto, nunca tinha pensado nisto. Há tanta coisa que não saberia fazer. Ou não poderia fazer. Ou teria de aprender a fazer de outra forma. Nem sequer poderia reler este texto. As letras já não seriam precisas. As montras das lojas poderiam ser destruídas.
O olhar dos amantes, as suas expressões não poderiam ser vistas. Apenas as mãos, a tocar o rosto. Está a chover. E tu não tens olhos. Mas ouves a música da chuva. Talvez nunca a tenhas apreciado. Achas que se nós não víssemos conseguíriamos ter outro tempo? Parar com estas correrias desmedidas? E quem é mais cego?Quem vê ou quem não quer ver? Tantas vezes tens vontade que te arranquem os olhos. Porque a dor de ver a miséria deste mundo é forte demais. Porque a dor dos olhares de indiferença é perpétua.
Imagens.Imagens. Em catadupa e sem parar. O mundo não pára. O show continua. Às vezes os nossos olhos são mesmo relógios avariados. Neste caso desregulados. Vêm mas não vêm. Não vêm o que é preciso. Não sentem o que é preciso. 5+5 são 10.

(Texto inspirado no "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago)

Eternal Sunshine Of The Spotless Mind


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"Quão ditoso o destino
da irrepreensível vestal!
O mundo esquecendo
Pelo mundo esquecido
Eterno e solarengo brilho,
O do espírito imaculado,
Cada prece aceite,
Cada anseio conformado
."

Citação de Alexander Pope em "Eternal Sunshine Of the Spotless Mind".

And I will not erase you, because as painful as it is to remember you, there are moments that shouldn't be erased. My spotless mind won't sunshine eternally with your smile, but I'll keep it somewhere safe so it won't be lost in my numb self-existence.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Já não és o meu mundo azul...

Ainda não te consigo chamar pelo nome, mas já apaguei o azul do teu beijo. Já não sinto a tua falta, porque desapareceste com o céu azul e deixaste a tempestade, a noite que amanhecerá em arco-íris. Mas sim, ainda não te consigo chamar pelo nome. Mentiria se dissesse o contrário. Como se pode dar um nome, banal, vulgar, ao bater melodioso de um coração num olhar, à alma que grita por um beijo? Como se pode dar um nome, que tantas bocas podem pronunciar, que tantas bocas podem chamar, a uma melodia que era eu que tocava, e cantava? Era eu a tua boca, o fogo que vivia em ti, era eu a magia de um sonho azul... Mas aspiraram da tua alma o brilho de uma paixão azul forte, azul-céu, azul-mar, azul-coração, e hoje já não te posso chamar o meu mundo azul... e ainda não te sei chamar mais nada, mesmo tendo perdido a ânsia do calor da tua voz... E eu sei, eu sei que a culpa foi do meu olhar castanho tremeluzente, inquieto e nervoso. Eu voava contigo no nosso beijo arco-íris, mas sozinha perdia todas as cores e só sabia a cinzento... e tu viste o meu olhar castanho tremeluzente cada vez mais cinzento, e também perdeste o teu azul. E agora dói porque já náo somos o pôr-do-sol no mar, dia de Verão... Somos a neve na montanha verdejante, a chuva do primeiro dia de Outono...

E tu és o Sol escondido entre a nuvem que sou eu, tu desapareceste na sétima onda, a maior... tu deixaste de brilhar por causa do meu olhar tremeluzente, que afinal era o medo que eu nunca tive de perder o teu calor, o meu Sol de Verão. O medo que afinal tornou a minha alma um lago gelado, em que todos os narcisos desapareceram...

domingo, outubro 30, 2005

Filme alice (resposta atrasada)

Ela era a Wendy. Tu és o Peter Pan. Tu não querias crescer. Não querias entender. Ficaste À espera que ela voltasse, na tua pequena terra do Nunca, onde mantiveste os mesmos gestos, quiçá as mesmas palavras, com medo de a perder. Tudo em ti escureceu, como as ruas, como os dias cinzentos do Inverno. Esperaste-a vestida com a mesma roupa, amarrotada talvez, porque ninguém a passou a ferro. Inspeccionaste as ruas com o teu Big Brother particular, com câmaras a invadir a cidade, mas sem audiências. Todos te sabiam derrotado, mas deram-te como vencedor. Ninguém se atreveu a entrar no teu pequeno mundo e sacudir-te para que acordasses. Tu amavá-la. Tu ama-la. Ela saiu de ti, tem os teus traços, jogaram as mesmas brincadeiras. Mas agora ela não está. E tu estás perdido.
A Wendy não volta. Na tua realidade assolapada de sonhos não vês isso. Ela até pode passar por ti na mesma rua. Mas a tua obsessão impede-te de a descortinar. Ela mudou. Fugiu-te. E os vossos rostos tornaram-se desconhecidos. Emudecerias se a visses e soubesses que é ela?Acreditarias? A tua obsessão é tão forte e o teu sofrimento tão profundo que acho que não. Ès um espectro de ti. Fugiste-te. Persegue-la como te persegues a ti.
Medicamentos em cima da mesa, dores que não têm cura. Depressões que não passam. Relógios que fazem tique – taque. Contas os dias no teu calendário “ela despareceu há não sei quantos dias e não sei quantas horas”.
Alice no país das maravilhas. Não.Alice no país das torturas. No país que é o nosso. Onde o medo se arrasta pelas esquinas. Onde pais como tu se arrastam em farrapos. E certos ouvidos tapados com cera, e corações tapados com cimento,que continuam a quebrar a inocência do país das maravilhas, onde moravam as crianças. E a Wendy da terra do nunca tem de aprender a crescer. A crescer ou a morrer? Não há moral. A moral ficou escondida atrás de uma sombra na porta de um armário. A moral está presa por um fio. O amor é mais um fragmento, mais uma página arrancada.
País das Maravilhas. Terra do Nunca. País das Torturas. Terra do Sempre. Sempre dor, sempre mágoa, sempre desesperança. E no entanto sempre alguém com coragem para dar passos, mesmo que esses passos não sirvam de nada e sejam estúpidos como a própria vida. Como é que se vive depois? Depois do dia “D”? Do dia em que levam uma parte de nós?Como é que se vive depois de perder um filho?Vive-se?Sobrevive-se? Ou morre-se num suicídio diário dos nosso cérebros? A morte traz um fim. O desaparecimento deixa sempre uma porta a ranger nos ouvidos . Um “se” que te arrasta para um poço fundo e te leva as forças. Suicidas-te na procura desenfreada. Não comes, não dormes, vegetas como um legume a apodrecer. Alice. Alice. Alice. È a palavra de ordem. Gostava de dizer fim. Mas esta história não tem fim. Depois de ti virão outros com as mesmas dores. E é ridiculamente verdade. Tudo volta ao início.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Soltar Letras


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É impressionante o poder terapeutico da escrita... Sinto-me asfixiada, sufocada por dentro quando não solto qualquer coisa por aqui. Por vezes não consigo, a minha alma emudece perante a angústia de uma alma em constante turbilhão e confusão perante o estonteante suceder de loucas emoções... mas quando ela grita e as minhas mãos sentem o que ela chora, a lua volta a ter luar e eu voo por entre tantas letras, tantas sensações, tantas emoções. Nestas letras deixo cair lágrimas e sorrisos, quedas e vitórias, e sem querer vou fazendo um diário da minha vida, em pleno espaço cibernético, ao olhar de todo o mundo... E não há pudor, não há vergonha, não há medo, há vontade de gritar a olhos e rostos (des)conhecidos tudo o que abana o meu ser, tudo o que chocalha o meu eu e me muda, me transforma, me (in)completa.
Soltar letras. Soltar emoções. Soltar uma vida, soltar um eu. Ser, conhecer. Viver. Escrever.

terça-feira, outubro 25, 2005

Qual título?

È uma carta.Podia até ser para outra pessoa qualquer, mas sim, de facto é para ti. Eras o pôr do sol, céu raiado de sangue, tecto de uma praia qualquer. Só que tu não eras uma praia qualquer. Era isso que me fascinava. Tu, aventura que eu queria desesperadamente conhecer, desfrutar, saborear. Eras o meu coração a bater descompassado, a minha boca, que te chamava cerrada... imóvel.
Cada vez entendo menos da paixão. Eras.Acho que ainda és. Continuas a preencher os espaços da minha caixa toráxica. Respiro com força para te absorver. Às vezes,porém, sinto-me sozinha.Solidão. Sinto falta das palavras. Ouvi dizer que o romance morreu. Mataram-no. E eu queria ainda ouvir as palavras que foram esquecidas. Que arrancaram das páginas do dicionário. Que tantas mãos impuras violaram nos lábios, na testa, nos olhos.
Talvez não queira ouvir as palavras. Basta-me o silêncio. Um silêncio que não fosse um qualquer, estereotipado e mecânico, retirado de uma estante empoeirada de livros. Fervo de desejo por um silêncio nosso: polissemia, pureza, perdão, pérola, pedra, ponte, palavra. Silêncio-pureza, silêncio-pedra, silêncio-ponte, silêncio-palavra. Para nos livrar do medo do diálogo dos olhos e das mãos, ponte sobre as diferenças, palavra na língua.Pedra.Pedra.Pedra sobre o assunto. Qual assunto? O mais tolo de todos.A paixão. O amor.
Eu nem sei o que é o amor. Amor vem no dicionário? Deixa-me ser o teu dicionário.Esconde-me no teu Mundo. Eu. Cinderela (des)encantada, Bela (des)adormecida em sobressalto. A precisar de um sapo.
Sim, esta carta é para ti, mas podia ser para outro . Sê um princípe, só hoje. Faz de conta. Eu fecho os olhos e tu contas-me uma história “era uma vez”.Uma única vez. Para eu recordar na mimesis do tempo. Um minuto. Em que ressuscitámos o romance. Demos as mãos sem mentiras ou barreiras entre nós.
Amanhã volto a ser uma feiticeira. Volto a dizer que não tenho medo.Brincamos às escondidas.
Agora, só agora, sussurro no restolhar das folhas do Outono, que tenho medo. Sou uma fraude. Uma frágil e feminina criatura correndo em círculos à procura da própria sombra.Da agulha no palheiro. Mais fácil que buscar o amor e a sinceridade.
A sinceridade, contaram-me (mas não digam a ninguém) ficou com o dedo entalado. O dedo roxo. O sangue. Acho que a sinceridade continua com o dedo entalado. Aliás, todos nós temos o dedo entalado. E o burro preso. Como dizia a minha mãe.
Isto já não é bem uma carta. Estou apaixonada por ti. Gosto de comer limão sem açúcar. Adoro quando sussurras ao meu ouvido. Adoro o aroma do café na chávena. Gosto de te beijar. As nuvens parecem algodão doce não achas? Já chega. Queres? Pssst... então? Sim é para ti. È cliché? E daí? Eu sou ridícula. Ridiculamente louca. Queres?

segunda-feira, outubro 24, 2005

Pessoas...!


Eu escrevo para sublimar as coisas. Talvez enconre na escrita uma forma de reescrever a minha própria existência.Somos tão banais. Todos.Sem excepção.
As pessoas aparecem-me como uma amálgama de chapéus de chuva, numa avenida lisboeta, em dias frios de inverno. Os chapéus podem ter vários padrões, contudo, não passam disso mesmo: chapéus. Função: proteger da chuva. Não quero dizer com isto que somos chapéus de chuva. Mas há semelhanças. Vistos de longe os chapéus de chuva parecem todos iguais. Sabem o que é levar com uma vareta no olho?A maioria sabe do que falo. E levar um estalo?
As pessoas, estranhas criaturas, já me deram valentes bofetadas (algumas às quais não respondi), quanto mais as tento compreender, mais me fogem. Só que todas elas mais cedo ou mais tarde soltam o seu monstro, nada virtuoso, de mesquinhez, ódio e frustração.
Estou farta de levar pontapés das pessoas. Interrogo-me se o Mundo que anseio não existirá senão dentro da minha cabeça. Talvez apenas eu vislumbre o céu de cor de rosa. Sim, eu sei que é azul.Era uma ironia. Uma metáfora, se preferirem. Prossigamos. O meu semblante torna-se carregado de quando em vez, nas alturas em que penso “ onde é que eu já ouvi isto?”Nunca mudarão os clichés? Como é que saímos fora desta permanente fase embrionária de nós mesmos?
Num mundo em que nos vestimos de eufemismos porque não temos coragem de tirar a roupa. Eu por mim, fico-me a passar a roupa a ferro, na minha casinha de paredes impecavelmente brancas, dentro da minha fantasia imaginária de “não sei quê utópico”. Assim não vais longe jovem. Sempre a inventar caminhos e a tropeçar em pedras. Pelo menos tento não ser um guarda chuva. Mas estou sempre a levar com varetas no olho. Ponto final.

domingo, outubro 23, 2005

Binómio

Porque é que escrevemos tanto sobre o amor? Acho que talvez seja para continuarmos a acreditar nele.
É um ciclo. Como a fome. Um binómio: entendimento ou desentendimento. Compreendes?-Sim eu entendo. Na era dos entendimentos eu acreditava no amor. Devo reformular e escrever Amor. Na era dos entendimentos tu fazias-me festas no coração e cócegas na minha caixa do riso. Éramos uma janela aberta sobre uma ponte, onde um novo dia raiava. A fusão das bocas era igual à fusão das palavras. E tu compreendias-me (ou esforçavas por compreender). E falávamos à toa num jardim qualquer. Na era dos entendimentos havia o silêncio a salpicar as palavras, e até no silêncio tu prestavas atenção ao que eu dizia. Até no diálogo prolongado de um beijo. Era perfeito . Mas perfeito é aborrecido. Porque tu não eras tu . E eu não era eu. Ainda soávamos tanto a falso. Só o lado solar.
Depois veio a era dos desentendimentos, e o tempo carregou no seu ventre a semente de uma discórdia, que não sei se é boa ou má. Acho que nada é inteiramente bom. Nem inteiramente mau. Na era dos desentendimentos, fazias-me festas no coração e abrias a torneira da minha fonte de lágrimas. Na era dos entendimentos eu nunca chorava e, se o fazia, tu esticavas-me um lenço branco, impecavelmente limpo, livre de mágoas e de rancores. Nesta era nós já éramos nós e não havia espaço para fingimentos, nem sempre havia lenços, até gritos eu ouvi, por cima dos silêncios que outrora desfrutávamos. Parecia que tinham gravado outra música por cima da música do silêncio do nosso CD. Era o meu e o teu lado lunar a ferirem-se, a encontrarem-se, a fundirem-se.
Confesso que desconfiei do amor. Devo reformular e escrever amor. Sim, fica igual. Era amor mesquinho, era amor sem asas e sem lirismos sublimados. Era amor-carne e amor-sangue e em certos flashes julguei já nem ser amor. Só que depois entendi. A vida e o Amor são uma e mesma coisa: um ciclo fátuo repetitivo. Doce e amargo. Entendimento e desentendimento. Corda bamba. A perfeição é um lago muito belo mas sem peixes. Ninguém pode viver na perfeição. Acreditarias se te dissesse que ninguém quer viver na PERFEIÇÃO? Que queremos ser sol e lua, noite e dia, bom e mau, mentira e verdade? Olha-me nos olhos e diz-me que detestas estas divisões. Sê o meu binómio. A minha contradição. Vamos jogar um jogo. Em que sabemos À partida que não somos perfeitos. A satisfazer desejos e a procurar novos. Não sabemos as respostas ás perguntas. Por isso somso tão tolos. Tão tolos. Tão tolos. Só tenho uma verdade: Não sei. Apetece-me estar contigo. Apetece-me SER CONTIGO.
Em qualquer era, em qualquer lugar ou não-lugar. E depois? E porque não? Porque sim. Porque quero. Calas-me com o dedo indicador sobre a minha boca. Acho que as torradas se estão a queimar. Beijas-me e penso que as torradas se estão a queimar. Absurdo. Cheira a torradas queimadas no quinto andar onde somos janela virada sobre a ponte. Lá fora onde os carros se amontoam em filas, onde gente dentro de carros com medos vai para um não sei onde. Cheias de pressa. Enquanto eu nem quero saber. E deixo queimar as torradas.

sexta-feira, outubro 21, 2005

"Já ninguém quer viver um amor impossível."


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Porque nada faz tanto sentido como agora. Porque me faltas...Muito.

(Texto enviado por e-mail pela Raquelinha de Aldeia Velha.)

ELOGIO AO AMOR - Miguel Esteves Cardoso in Expresso

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor
transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura,
a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Reflexos


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Olhas-te e não te vês. Devolves-te um olhar pesado, gasto, sem brilho. Tocas-te e arrepias-te com a superfície gélida do teu reflexo. Não te sentes. Em ti fica o frio que preencheu o olhar que te procura do outro lado. O corpo inerte, apático, os lábios mudos, a alma que lateja nas fontes... Por momentos, perguntas-te "Quem és, meu eu angustiado com o nada de cada nascer do Sol? De onde vieste, retalho perdido de mim? De onde vieste, nevoeiro que cobre o arco-íris que eu sou?"
E afastas-te de ti porque não te vês, afastas-te de ti porque já não és, afastas-te de ti e desapareces na multidão de rostos sem expressão, que se arrastam num pôr-de-sol cinzento, no nevoeiro dos seus reflexos.

domingo, outubro 16, 2005

Ausências


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"Mas os poços de fantasia acabam por secar..."
in filme "Alice", de Marco Martins

A ilusão esfuma-se, quando um olhar se perde. A fantasia acaba, quando uma dor se prolonga em desespero, quando o peso do mundo nos asfixia, quando a vida não é mais que um suceder de dias, tão iguais, tão monótonos... e a nossa segurança torna-se essa rotina, essa repetição de movimentos e horários, o que nos faz levantar todos os dias, o que nos faz erguer a cabeça e pensar: "hoje vou tentar de novo".

É essa preserverança que nos transmite a personagem principal de "Alice", Mário, o pai de Alice, representado por Nuno Lopes. 193 dias depois de Alice ter desaparecido misteriosamente do infantário, Mário percorre o mesmo caminho que fez no dia em que a filha desapareceu do infantário, e visiona as cassettes das câmaras de vídeo que posicionou em pontos estratégicos de Lisboa, repetindo cada movimento com uma precisão extrema de horários, alegando que, se quebrar a rotina, tem medo de não a voltar a ver, e que, uma vez que as pessoas "não desaparecem no ar", "quando ela passar novamente por aquelas ruas de Lisboa, eu vou estar lá".

E é em ausências, silêncios, obsessões e frustrações se desenha esta obra de Marco Martins, que ganhou o Prémio "Regards Jeunes", em Cannes 2005. É em olhares perdidos, inexpressivos, lábios mudos, pessoas desapaixonadas da vida, que deixaram o sonho algures num passado de desilusões, pessoas que picam o bilhete do metro como partilham uma refeição com a pessoa que amam, como se deitam sem uma palavra com quem viveram mil quimeras e arco-íris de emoções, que se baseia esta realização cinematográfica. Em todas as pessoas que povoam as metrópoles, que ignoram "Mários" que tentam distribuir panfletos sobre uma criança que desapareceu, que assistem ao frenesi da busca de uma criança nos primeiros tempos, e depois ignoram-na como apenas mais uma notícia no jornal, apenas mais uma criança que desaparece... Pessoas com o mesmo rosto e o mesmo olhar, "Alices" perdidas no tempo e na vida, "Mários" que sucumbem no insucesso.

Rostos. Olhares. Almas. Ausentes. Perdidas.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Amor...

O que é o amor?
O amor não tem existência dentro das palavras
O amor são todos os amores que eu já amei
Aquilo que eu ainda ontem..
Não, ontem não era amor
Então o que era?
Era..já não é...
E se eu te dissesse que o teu corpo me faz cócegas no estômago?
Isso não era amor?
O amor em si não é nada,
Talvez por isso já ninguém diga amo-te...
Não é pela palavra,
É o que vem dentro da palavra,
Saiem anos de rancor, amores mal acabados,
Um peso nas costas que não é amor,
Quando se podia ter dito:
Não achas que as nossas maõs encaixam tão perfeitamente?
E talvez não encaixassem,
Porque a tua mão era tão pequena,
Mas o nosso olhar ...
E se de repente começasses a chorar,
Lágirmas a virem dos anos,
a saírem das palavras e do amor...
A palavra amor nem tem alma...
Talvez por isso quando o corpo quer ficar
A alma anseia partir
à procura do amor que não é amor...
Olhar-te e sentir-te,
Chamar-te pelo nome,
Já reparaste que ninguém chama o teu nome como eu?
Não interessa a palavra que é o nome,
Antes o nome que é essa palavra,
Que acentuo na minha boca e na minha voz,
A sorver num trago o insípido amor,
Chamo-lhe vida porque o gastaram...
Quando se diz amo-te
O ser traz o peso da crueldade
Só acreditarei no amor,
Num mundo em que as palavras forem reviradas do avesso,
E o amor já não palavra.>As invada por dentro,
As faça render e quebrar...
No abraço que te dou>O amor não tem lugar nas frases...
O amor nunca poderia ter lugar
Não é nada esse tal amor
E no entanto
Os extremos tocam-se..
E se o nada e o tudo
São uma fusão,
O amor é tudo
Até o ódio...
Nâo é o ódio o que está dentro do amor?
Ou será o amor que está dentro do ódio?
Os pólos tocam-se...
Mas dá medo de tocar o ódio no amor,
perder o equilíbrio na vertigem:
Não tem espaço o amor
è um marginal
Mas mesmo isso que não é o amor
è o que eu sinto
Contar porquê?
Se é tudo e ninguém entende?
As metáforas satisfazem?
simplifico e digo amor?
è correr no piso e não sentir frio
Atirar-me para o fundo da tua alma e não sentir dor na queda
Como sentir amor se amar é também não sentir?
Não sei o que sinto
Mas sente-se
E é este o meu poema
Nunca igual a nenhum outro
Porque cada palavra traz o ardor
Dos momentos vividos
Do orgasmo de cada experiência
Do orgasmo do amor...
Mas isso não é amor é sexo...O sexo é o que está dentro do amor
E o amor está dentro das palavras.

terça-feira, outubro 04, 2005

Sensação... ou sentimento?

Sentimento... pureza, simplicidade, pensamento, carinho... Sensação... desejo, loucura, toque, união, calor, paixão. Sentimento ou sensação? Amor ou paixão? Momentos de êxtase, de um intenso e louco explorar de dois corpos que se atraem como ímans, pólos contrários, ou o saborear harmonioso e tranquilo da cumplicidade e intimidade de duas almas?? Um agora maravilhoso ou um sempre mágico? Um presente de vida ou um futuro de esperança?
Sensação... ou sentimento??

segunda-feira, outubro 03, 2005

Pózinhos perlimpimpim

Há dias em que parece haver tanto para dizer, mas a boca emudece, os dedos entrelaçam-se num nada que prende a alma ao silêncio... Há dias em que nos sentimos envolvidos numa cama quente, mas frágil...prestes a partir...mil dedos e mil braços nos envolvem e nos reconfortam mas a cama ameaça ruir... falta-lhe um pequeno prego, o essencial, que sempre a susteve e agora, sem mais nada, começou a desapertar-se...ainda está lá, mas ameaça cair... E os mil olhos e braços procuram o prego e não o encontram...ele enferruja sozinho e parece querer cair, porque embora o seu maior desejo fosse suster aquela cama até ao fim, está a perder as forças... E a cama pede ao prego que fique... a cama chora baixinho, acabando por enferrujar mais o prego, que queria ser cobertor e estar mais perto dela, para limpar as lágrimas da cama com o seu calor intenso... Será que alguma das mãos tem pozinhos perlimpimpim para transformar o prego em cobertor? Ou uma magia secreta, um "acabacadabra" poderoso? Não? Pois... a cama já imaginava... abandonar-se-á ao sono no sonho da tranquilidade e de um novo acordar...

sábado, setembro 17, 2005

Nossa Senhora dos Prazeres


 Posted by Picasa
D. Pedro I, eterno apaixonado de D. Inês de Castro, sofreu o embuste que vitimou a sua amada de um modo muito violento. Ao saber que Inês de Castro tinha sido assassinada, mandou perseguir os seus carrascos… um deles tinha fugido para a Beira Alta, e refugiou-se numa pequena povoação situada no cimo de uma serra, de seu nome “Sabugal Velho”.

Os guardas de el-rei, no trilho do dito carrasco, souberam que ele estaria por aqueles lados, e seguiram no seu encalço… chegando à pequena povoação do “Sabugal Velho”, arrasaram-na por completo, na esperança de encontrar o prevaricador. No entanto, não havia nem sinal do carrasco de dona Inês… Possivelmente já se encontraria a caminho de Espanha…

Entretanto, os habitantes do “Sabugal Velho”, desceram a serra e resolveram ocupar o vale, levando os restos da povoação do “Sabugal Velho”, elevando uma nova povoação com as pedras velhas que sustinham as suas casas no “Sabugal Velho”, e tornando o nome da sua povoação “Aldeia Velha”, devido às circunstâncias da sua origem.

Por altura da égide de “Aldeia Velha”, alguns habitantes voltaram ao “Sabugal Velho”, para recuperar os seus pertences… e repararam que a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres tinha ficado intacta, no cruzeiro, entre os escombros da povoação destruída… Resolveram trazê-la para a aldeia, mas, no dia seguinte, tinha desaparecido… voltaram à serra, e voltaram a encontrá-la no cruzeiro… Esse fenómeno aconteceu por diversas vezes, até que os habitantes de “Aldeia Velha” perceberam que o lugar da santa era na serra. Assim, resolveram erigir uma capela em sua honra, onde ela ficaria. Não podia ser no cruzeiro, pois assim não seria visível para toda a aldeia, por isso resolveram erigi-la no cimo da serra.

Depois da égide da Capela, conta-se que, em alturas de seca, os habitantes da aldeia iam à serra e traziam a santa para a igreja, voltando a levá-la para a serra em procissão, rezando, pedindo com toda a sua fé a Nossa Senhora dos Prazeres que pusesse um fim àquele suplício... e conta-se que, poucos dias depois, chovia em Aldeia Velha...

E assim foi, e hoje em dia Nossa Senhora dos Prazeres ocupa o seu lugar de vigília de Aldeia Velha, protegendo os seus habitantes e devotos crentes. E pela altura da Páscoa, realiza-se uma festa e uma procissão em honra da padroeira de Aldeia Velha, vivendo-se a fé e o amor por aquela santa e por aquela capelinha branquinha, no meio da vegetação verdejante, que reune todos os filhos da terra.