quarta-feira, novembro 10, 2010

coração

O meu coração sofre de claustrofobia. Não suporta lugares fechados e, por essa mesma razão, fui obrigada a entregá-lo a alguém. No meu peito sentia-se demasiado desconfortável, fechado, privadado da liberdade. Entreguei-te, então, o meu coração. Para que pudesses tomar conta dele. Só não me apercebi que o meu coração iria crescer contigo, tornar-se grande, gigante. De facto, era previsível. Um coração pequeno não poderia conter o amor que nutro por ti. No meu coração há uma varanda em particular, na qual se bombeiam palavras e o sangue corre mais acelerado nas veias. Foi onde nos beijámos pela primeira vez. Da claustrofobia do meu coração não há vestígios. Apenas um palpitar acelerado quando o tomas nas mãos. O meu peito não tem coração mas acho que estou bem assim. Enquanto ele pula e avança pelo mundo e descobre as maravilhas de continuar a bater. Talvez, assim, tenha razões que a razão desconhece e bata sincronizadamenhte com a vida durante muito, muito, muito tempo.

terça-feira, novembro 02, 2010

Mais que amor.

Dizer que te amo é muito pouco para exprimir o que sinto por ti, és como uma canção arrancada aos silêncios da minha vida. Uma música com mais sinfonias que Beethoven, com andamento ora rápido, ora lento, com a cadência particular adequada aos momentos da nossa história de amor. Nessa canção encontrei um rumo e outras vezes perdi-me. Partilhámos tantos segredos debaixo daquela árvore encantada, que mais ninguém - a não estas duas almas enamoradas- consegue vislumbrar. Provámos desse fruto proibido e eu dei-te tudo e tu deste-me, até, a lua. Não a achei assim tão bonita, vista de tão perto. Nada que se compare ao brilho dos teus olhos e ao perfil do teu rosto. Esta é uma história de amor real, com lágrimas, sorrisos e em que nem tudo é um mar de túlipas. Poderiam ser rosas, só que a túlipa sempre foi a minha flor favorita. Encheste-me a cama de flores e depois soltámos as pétalas pelo chão fora enquanto me beijavas. O teu beijo é a incandescência pura e luminosa deste nosso mais-que-amor. Maisamor, ou Amormais, esta palavra nova que inventei enquanto as nossas bocas se tocavam no banco solitário daquele jardim. O que vou fazer se não estiveres por perto? Tu e eu somos uma fusão, uma miscelânea de diferenças e proximidades. Uma vertigem de pontes e pontos sem nó. De fins e de começos. Não sei se te amo, porque perdi contigo o significado do amor. Para nós, é tudo extremamente (a) normal. Era mesmo assim que eu queria. Mais que amor. Tão mais que tudo que se transforma em nada. Nada com que os outros tenham a ver. Dizer que te amo é tão redundante e ínfimo, é tentar contar todas as estrelas do céu e achar que se chegou à conclusão certa. De qualquer forma, não há estrelas que cheguem quando se ama assim.