quarta-feira, dezembro 26, 2007

Escolha

Escolhe um caminho, mas nunca o sigas por muito tempo. Afinal, muitas coisas mudam como as estações. Sempre que possível escolhe outro caminho mas não vás por atalhos. O mais fácil é sempre o mais difícil. Não vás arranhar o coração e alma. Escolhe um local e uma música favorita mas não deixes tocar por muito tempo. O banal é demasiado enfadonho. Vai procurando a música certa para o momento certo. Escolhe um amor mas não ames sempre igual. Ama mais, ama diferente. Nem as folhas que caiem da mesma árvore, no mesmo Outono, são iguais. Se reparares, cada uma tem a sua textura e a sua cor. Ama muito, com texturas de madrugada solta nos cabelos, de sonho inacabado, com raiva ou com ternura. Mas ama, afinal a vida não é grande coisa sem paixão. Mas quando falo em paixão refiro-me não só ao amor de amantes. Amor de amigos, Amor de amar, Amor da vida. E digo paixão não com o sentido original de sofrimento. Paixão de ser feliz. Escolhe um sorriso, mas não negues as lágrimas. Afinal, tal como a sombra que nos acompanha, a alegria vem sempre acompanhada de rasgos de tristeza, que nos fazem tomar consciência de como é bom estar feliz. Porque felicidade é um estado, jamais uma certeza. Em tudo o que faças e em todas as escolhas, recorda que na vida (quase) tudo é possível de ser sujeito a uma nova transformação, a uma nova escolha, a um novo retrocesso ou avanço.

domingo, dezembro 23, 2007

Mary Poppins

Havia portas mas não havia saídas. Mary Poppins a voar no seu chapéu ansiava agora voar para outras paragens. O medo escondido no bolso do casaco, o tempo a ferver no vento que passa. E as horas que avançam no relógio grande da praçeta. As pessaos que passam, os rostos conhecidos a passarem a desconhecidos na intermitência de um piscar de olhos. Mary Poppins quer voar no seu chapéu mas gostava que os dias fossem maiores para gravar na sua mente os beijos e os sorrisos, o cheiro da terra que é sua, a textura da sua almofada e da sua vida que será outra. Vida heterónima, por assim dizer. Tão outra. Percorre-a um arrepio de ansiedade. Mary Poppins revolta os cabelos na reviravolta da sua vida. Os lugares a mudar, a presença a fazer-se ausência. A cidade a tornar-se saudade. as badaladas do relógio. A meia noite. O novo ano. a nova vida. E Mary Poppins transforma-se em cinderela sem sapatos, o tempo transforma-se em sem tempo, o principe fica. A princesa vai. Os amigos tornam-se pequeninos vistos do pássaro gigante que leva a cinderela. A sombrinha da Mary Poppins. A nave de sonhos espaciais (especiais) a rodarem no sentido inverso dos ponteiros do relógio. Porque tudo roda ao contrário na vida. Os sonhos da aventura apo contrário do tempo da despedida. Eu, Mary Poppins. Cinderela. Bruma de Avalon. Cidade perdida em mim.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Chá

Quando o tempo parou, faltavam 11 minutos para o meio-dia. O almoço tardava, entre telefones por sossegar e coisas por contar. Desapareceram dois pequenos olhos do corpo de caixa branca, e a cadeira ficou a girar sozinha. Quadro de Dalí, a sala de trabalho: computadores com olhos. E dali fugiram os pés pequeninos para outras cores, outras caras: cabeças com vestidos pretos iguais e corpo de montra. Chá, por favor. Obrigado. Ah!; as mãos na chávena. Quentes numa sala fria. Anestesia de tudo num mundo sem tempo para nada. E os olhos mergulhados no chá, cheios de lágrimas por chorar. E pelo bar ficou, esquecida no chá.
Pousou a chávena, o toque na mesa cortou o silêncio e acordou os ponteiros. Voltaram os dedos à correria. E os olhos ao computador, corpo de electrões operários incansáveis, coração esquecido. Sempre assim, dia após dia.

"She found a lonely sound
She keeps on waiting for time out there
..."
"Porque sempre vivi isolado, Sofia, durante a escola, o liceu, a faculdade, o hospital, o casamento, isolado com os meus livros por demais lidos e os meus poemas pretensiosos e vulgares, a ânsia de escrever e o torturante pânico de não ser capaz, de não lograr traduzir em palavras o que me apetecia berrar aos ouvidos dos outros e que era Eu estou aqui, reparem em mim que estou aqui, Oiçam-me até ao meu silêncio e compreendam-me, mas não se pode compreender, Sofia, o que não se diz, as pessoas olham, não entendem, vão embora, conversam umas com as outras longe de nós, esquecidas de nós, e sentimo-nos como as praias em Outubro, desabitadas de pés, que o mar assalta e deixa no baloiçar inerte de um braço desmaiado".

António Lobo Antunes

quarta-feira, dezembro 12, 2007

For reasons unknown

"I pack my case. I check my face.
I look a little bit older.
I look a little bit colder.
With one deep breath,
And one big step,
I move a little bit closer.
I move a little bit closer.
For reasons unknown.

I caught my stride.
I flew and flied.
I know if destiny’s kind,
I’ve got the rest of my mind.
But my heart, it don’t beat,
it don’t beat the way it used to.
And my eyes, they don’t see you no more.
And my lips, they don’t kiss,
they don’t kiss the way they used to,
and my eyes don’t recognize you no more.

For reasons unknown; for reasons unknown.
"

The Killers

domingo, dezembro 09, 2007

Ataraxia

Ouve-se a melancolia do outro lado da estrada. Um mendigo corta o silêncio com uma melodia que soa a Domingo. Soam sempre assim os Domingos, como uma música que sempre ouvimos e nunca gostamos muito. Mas faz parte. Faz companhia. Deste lado suspira a letargia dos atrasos de autocarro. Ninguém tem nada que fazer e no entanto, toda a gente perde o que podia ter feito. Mas é só mais um dia. Só mais uma pessoa no banco dos cépticos. Nada abala o quase. Nada esbofeteia a apatia da emoção de ontem. Bate-me até ficar de carne viva. Deixa-me os lábios sangrentos, morde-me, beija-me, faz-me chorar de rir. Vem euforia, amiga da onça, deixa-me triste. Mas faz qualquer coisa, aperta-me até ter medo de precisar de ti. Porque não preciso, e isso assusta. Faz-me acreditar que ainda há vida onde tu estás. Onde estou, até o mendigo desistiu de tocar.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

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"Somewhere over the rainbow
Way up high,
There's a land that I heard of
Once in a lullaby.

Somewhere over the rainbow
Skies are blue,
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.

Someday I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far
Behind me.
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me.

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly.
Birds fly over the rainbow.
Why then, oh why can't I
?"

The wizard of Oz

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Dead Poets Society

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"Fui para os bosques viver livremente
Sugar o tutano da vida
Para aniquilar tudo o que não era vida
Para que, quando morrer
Não descobrir que não vivi"

Thoreau