quarta-feira, julho 31, 2013

Noite escura

Na alvorada duas vozes se debatiam em mim:
- Abre os olhos, é apenas um pesadelo.
- Tenho medo, como posso ter a certeza que não aconteceu mesmo?
Fui mais corajosa e acordei, como se emergisse do fundo do mar inspirei com força e de alívio. Foi apenas um pesadelo. Senti-me feliz por acordar, mais um dia, mais uma luta. Está tudo bem. Está tudo bem.

terça-feira, julho 30, 2013

Crise de tempo

Dizia o MEC que o mundo não existe porque damos conta dele, mas porque existe. Ele vibra. E mexe. Mesmo quando estamos distraídos. E sobretudo quando estamos. O mesmo se passa com o tempo. O tempo passa mesmo que não lhe liguemos nenhuma, ele não quer saber. Passa e pronto. Mas chega um tempo mais egoísta, arrogante, que chama a atenção como um miúdo reguila e que nos obriga a prestar atenção. É o tempo das más notícias, das crises, que suspende a vida e a desacelera, obrigando a pensar.
No tempo da crise do (des)emprego em Portugal, não temos tempo para pensar nos sonhos, nas carreiras, no que dizíamos que íamos ser quando crescêssemos. Tenho muitos amigos que partiram do país para trabalhar, não nos seus sonhos, mas para fazer qualquer coisa que seja, que traga aquilo que alimenta ao final do mês. E assim, pergunto-me, quando regressar o tempo dos sonhos, das carreiras, daquilo que "eu quero ser quando for grande", será que chega a tempo?

M.E.C.

"O cancro faz lembrar a morte. Faz medo. Mas também faz pensar no tempo. Como é que queremos passar o tempo que temos até morrermos? A falar da morte? A morte será assim tão importante que mereça dedicarmos-lhe grandes nacos da nossa vida?"

Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, julho 08, 2013

"Alguém dissera um dia que se podia viver sem tudo, menos água e comida, mas que viver sem livros e música não seria o mesmo que viver".

in Madrugada Suja, Miguel Sousa Tavares