quinta-feira, setembro 23, 2010

hoje

Os meus olhos devoram o mundo e procuram respostas para todas as perguntas do mundo. Os meus olhos grandes abarcam a vida num segundo. São persianas que se abrem, a cada manhã, para a vida. Presas em janelas de sonhos que se espreguiçam numa vista de mar e sol. Ao longe, as gaivotas voam e depois vêm pousar-me nos ombros. Digo "bom dia" ao mundo e agradeço por poder olhá-lo, respirá-lo, senti-lo, ouvi-lo. De repente sinto-me em casa, enquanto os meus cabelos esvoaçam e o meu sorriso se escapa sem precisar de chaves ou segredos. Vens sentar-te a meu lado e continuo a sorrir, a rir, levantam-se vendavais de gargalhadas que arranham a garganta. E o mundo sabe-me a mar, a sonhos perdidos mas nunca esquecidos. O mundo sabe-me à tua boca, tem o aroma do teu corpo a tocar no meu. Agora já nem sinto o mundo. Sinto-me nós. Sinto a tua mão a sussurrar-me verdades que julgava ter esquecido. E vejo agora o teu sorriso, tenho medo que me escape entre os dedos. Mas afinal é só areia. Não me canso destas emoções. Hoje o mundo sabe-me a felicidade. Até quando?Não sei. Só consigo saber que a tua pele é quente, o teu coração palpita contra o meu e sinto que vou morrer agora. Nos teus braços, no teu riso, nos labirintos do teu beijo. Sinto-me completamente completa. Lua cheia. Laranja com todos os quartos. Um puzzle finalmente terminado. Afinal a peça que me falta és sempre tu.

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