terça-feira, setembro 28, 2010

Escrever

Todos viam como os olhos lhe brilhavam de novo. Naquele dia ela voltou a pegar no microfone, a ler olhos desconhecidos e a beber histórias novas. Voltou a voltar a casa com horas de conversa para desgravar, como uma matéria-prima que se carrega como um bebé até à oficina, para lhe dar forma e pô-la a brilhar. Porque nunca se tinha esquecido de como se fazia, tudo o que era preciso era polir muito bem, tirar o pó às palavras, suspirar bem fundo e ser mais forte que o silêncio daquela folha branca. Tudo o que era preciso era evocar com força a magia adormecida nos seus dedos, até voltar a saber escrever de olhos fechados. Até que aqueles dez anõezinhos voltassem a ser tão trabalhadores como os amigos da Branca de Neve.
Aquela emoção voltou. Conhecer, descobrir, escrever. E é incrível como sabe sempre, sempre, como se fosse a primeira vez.

3 comentários:

Susana disse...

"Tudo o que era preciso era evocar com força a magia adormecida nos seus dedos, até voltar a saber escrever de olhos fechados. Até que aqueles dez anõezinhos voltassem a ser tão trabalhadores como os amigos da Branca de Neve."

Adorei :)

Tinha saudades de ler o resultado do trabalho desses dez anõezinhos.

Beijo *

Marta disse...

os teus dedos são mágicos para a escrita ....

Joana Isabel Santos disse...

Sabe bem ler o que escreves!!