quarta-feira, setembro 22, 2010

Espero-te

Espero-te como a D. Sebastião. Espero-te sem olhar para o relógio, sem hora marcada, deixo os segundos, as horas, os dias esquecerem-se de te trazer sem te esquecer, sem deixar de te lembrar com um sorriso e um arrepio, sinto o teu rosto como se ontem o tivesse beijado.
Esperar-te faz parte de mim, de cada segundo em que nada se agita senão a doce lembrança de ti, ainda sinto os lábios quentes dos teus, os meus braços vazios dos teus. Sei que não virás mas no meu pequeno mundo imaginário prefiro viver-te a não ter mais nada. Pequenas coincidências te trazem pela fina barreira entre a ilusão e o vazio, como acordar depois de sonhar contigo e receber de repente um bom dia teu no telemóvel, pequeno aparelho que te traz a mim sem te poder ver. Palavras que surgem da tua mão sem lhe poder tocar. Desejos da tua boca que não posso sentir.
Quando te sonho é como se te tivesse nesse perfeito mundo paralelo entre a almofada e o infinito nada da noite. E em silêncio te namoro, como um segredo que nem tu sabes, re-estreia de um filme antigo pelas mesmas deixas que sei de cor, um amor sem tempo, um romance de pedaços rasgados de outra estória, a mesma, reescrita por mim. Espero-te. Espero-te sempre.

1 comentário:

Marta disse...

oh que bonito...