quinta-feira, fevereiro 08, 2007

beijo artístico sem tela onde ficar gravado

"As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir (...) "

Chuva, Mariza

E o ser-livro é marcado nas memórias, e só ficam aquelas cuja força, malévola ou boa nos impede de esquecer. Quando o coração bateu mais forte que o rádio, mesmo estando a música no máximo. E hoje quando o comboio avançava, ora lentamente ora mais rápido, vi a minha vida reflectida no vidro. Locais onde já estive, onde vivi alguns momentos dos que ficam na História, talvez não na do Mundo, mas na minha história. Só me recordo nessa cronologia desengoçada da memória, de pedaços de tempo, trazidos a lume de repente, quando o comboio pára em tal estação.De súbito recordo o teu beijo. O teu beijo que é arte. Que se une na poesia do meu. Recordei as lágrimas mais dolorosas da minha existência. Um dia quando eu já não for eu talvez digam quando alguém perguntar, "quem era ela?": alguém que gostava de pequenas coisas, ria muito e chorava muito, era sensível, dançava e cantava pelo mundo, era amante das túlipas como da poesia e apaixonada pela vida. De resto mais nada saberão. Das memórias que trago comigo. Dos jardins onde pus os pés, nada saberão do sabor dos teus lábios. Levarei tudo isso comigo, atracado ao meu cais de sonhos. Vejo as nuvens no horizonte, surgem agora no pensamento as nossas conversas, afinal lembro-me de tanta coisa. Trago-te comigo. Trago uma fatia do mundo suspensa na mente.

2 comentários:

Anónimo disse...

nao vas!! por favor, ainda é cedo e muito mais temos p viver juntos

Hizys disse...

esse anónimo é bem lamechas! :P ao menos é dos simpáticos..

mesmo que tudo desapareça, vale sempre a pena. ficaste na minha história também. ou melhor, vais ficando, música a música, gargalhada a gargalhada, nos passos dançantes da amizade.