quarta-feira, agosto 22, 2007

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Vou contar-te um segredo: sinto a tua falta. Sinto aquela palavra que muitas línguas não podem traduzir. Saudade. A ti não te devolvo estas palavras porque não quero que oiças os meus lábios formarem esta palavra de mil faltas e de mil pensamentos. A tua boca está agora congelada num beijo perdido num qualquer tempo que já não é hoje. Separa-nos a gravidade da vida e do mundo nestes dias sem ti. Que são apenas isso mesmo. Dias sem ti. Em que sorrio ou choro como dantes mas em que a viva presença de ti é apenas um reflexo da memória de mim. Ridícula saudade. Igual aos livros que devoro apressada, em instantes que sem ti se transformam em eternidades. Sinto a tua falta. As amoras estão por colher no campo dos nossos corpos. A fruta agreste das almas continua espalhada pela herdade. E a saudade meu amor?Foste tu que a plantaste.Poderás ajudar-me a colher?

2 comentários:

nemesis disse...

Saudades

Saudades!
Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca

Izys disse...

amoras e cerejas