sexta-feira, setembro 15, 2006

E quebro a solenidade das solas nervosas e dos motores enraivecidos, Supremos Imperadores da cidade, irreverente solto uma gargalhada que uma das gravatas ambulantes estranha. Franzir de sobrolho: "Não vê o sinal ao canto? São proibidos sorrisos aqui!" Oh, não quero saber. Eu não estou aqui. Estou tão longe, com ele. E tu não conheces a sua alegria pueril, a ingenuidade de quem não parece conhecer a maldade e a dor, e quando se ri os olhos amendoam e o riso sai aos bocadinhos, é longo e vem de dentro. (Alguém disse uma vez que o amor era ridículo. - Mas isto não é amor! Ainda não inventaram uma palavra para a tua voz em mim.)
"Eu até gosto de falar contigo..." "O QUÊ?!" Não!; apaga esta parte, não é isso, é que não estava à espera que fosse assim ao pé de ti. Os olhares fogem envergonhados, se calhar tenho alguma coisa no telemóvel. E um beijo no canto da boca, de repente e sem mais nada. Não reajo, fecho os olhos enquanto a música nos leva devagarinho. Não nos quero apressar, os ténis desapertam-se a correr e não quero tropeçar num futuro de nós feito pedra.

Eu sabia que eras tu que me ias deixar a sonhar quando voltasse. Mas afinal o que és tu, o que somos nós? Mais uma quimera deixada por escrever.

5 comentários:

Ninfa disse...

As tuas lágrimas são neste momento uma lágrima pequenina no canto do meu olho, embevecida, estremecendo nesse lugar recôndito e pueril das tuas palavras, fruto das tuas memórias.

Pakena Ticá disse...

Simplesmente lindo. Não tenho palavras...
**

Joana disse...

dos melhores que escreveste...

AR disse...

Não devia ser proibido sorrir. E sim, o amor é ridículo.
:)*
biju

e.l.i.c.i... disse...

Ó...