Sem nexo

Era uma porta pequenina como aquela da Alice do país das Maravilhas. Mas não havia um coelho com um relógio na mão e também não havia biscoitos para ficar mais pequena e poder passar pela porta. A porta era muito pequena e frágil e tinha um buraco demasiado largo para a fechadura. Encostei o ouvido e ouvi o barulho de risos abafados. Espreitei pelo buraquinho da fechadura e vi uns olhos muito brilhantes marejados de lágrimas. Depois não me lembro de mais nada a não ser de ter caído em espiral e ter aparecido de repente em cima do corsel mais lindo do carrossel. E de repente olhei para trás e vi que afinal não era um cavalinho de carrossel, era um cavalinho real e o cavaleiro segurava-me para eu não cair. Depois caí novamente em espiral e vi uma janela para uma praia. Palmeiras e côcos e o cavalo a desaparecer no horizonte. Palavras sem nexo no desenlace das palavras. O sol a explodir no peito e o rio na boca.

Comentários

Hizys disse…
às vezes andamos em espiral mas não é necessariamente mau...é um novo caminho, novas descobertas!
Hizys disse…
tu entao, tens sempre o sol a sair da boca... tu és sempre um raio de luz forte!
m. disse…
gostei das imagens... em especial da ultima.
(concordo c o teu 1º comentario isis)
bj