domingo, fevereiro 19, 2006

"Am I just a soldier on the road to nowhere?"

A espiritualidade parece ter-se perdido numa qualquer lugar do caminho infrutífero do nosso século. No meio de toda a tralha de que necessitamos ou criamos a necessidade de necessitar. Do nosso tempo-relógio, tempo-stress, tempo-dinheiro, tempo sem tempo para ter tempo. Mais um sofá, mais cinco minutos perdidos. A vida é muito mais do que aquilo que vivemos. Parecemos perdidos, num caminho com muitas setas em que não sabemos qual a direcção certa. E não está lá ninguém para nos ajudar. Estaremos verdadeiramente a perder a noção de nós?Substituímos o "eu" por um "outro", substituímos as sensações por máquinas que sentem por nós. Melhorámos a comunicação ou os meios que servem a essa comunicação, mas cada vez sabemos menos como comunicar. Porque estamos aflitivamente inquietos e não entendemos a raíz desse caule de preocupação. E a energia das coisas esvai-se no mundo das utilidades. E no fundo nada parece ter sentido. Nunca te sentes vazio? Nunca sentes que devias estar noutro lugar? Seremos apenas soldados num enorme batalhão, a lutar numa estrada que não leva a lado nenhum? Que será tudo isto?Este universo a que chamamos Terra, em que somos apenas pontos iludidos num pseudo domínio do Mundo. Nem sequer temos toatal domínio sobre nós mesmos. Seremos a personificação verdadeira da frase de Pessoa?Cada um de nós um "cadáver adiado que procria", cadáveres adiados, zombies, neste lugar estranho. Lugar que parece dizer tão pouco de nós. Gostava mesmo de conseguir assimilar e crer na ideia da alma que fica, permanece, se enriquece e energiza através das linhas do tempo. Isto que somos, este corpo, esta panóplia de células não pode ser o tudo. Este corpo que tanto vai partilhar, sentir, esta memória de sermos "eu", uno, verdadeiro, existência. De nos olharmos ao espelho e dizer "eu sou a marta", "eu sou o joão". Todos estes anos de repente serem um perene esquecimento, um nada. Morte?Será como quando adormecemos?nem sequer há vazio, porque não há consciência de vazio. Pontos apagados de repente pela grande borracha do universo.

5 comentários:

Hizys disse...

"Cádaver adiado que procria"! Lembro-me desse verso! D. Sebastião", Mensagem!!!! é?? =)

Cada vez mais alimentamos as nossas necessidades afectivas por meios artificiais, simples fios que forjam sensações. Mas se não existissem, talvez fosse pior. porque blabla, a vida está complicada. e o presente tem de ser vivido. somos loucos pela fruição de cada sensação, de cada emoção, qualquer que seja o modo pelo qual ela seja vivenciada. porque depois disto não há nada...
não vale a pena insistir. =|

texto que encerra em si todas as discussões que temos tido. =D

(granizooooo!!! será que neva outra vez? ahahah)

el Ramalho disse...

Somos o que fazemos, como pensamos, como agimos e reagimos, somos como sentimos. Somos uma mistura de racionalidade e sensações: o nosso carácter.
O corpo, matéria. Para existir é preciso ser, ter forma. Afinal, tinhamos que pousar os nossos 'sensores' nalgum lado!...
A vida é fazer melhor, para nos sentirmos melhor, para fazer melhor...

Odnilro disse...

Uma pergunta que deixo.
Imaginem eu e outra pessoa. Como por milagre (isto é um supúnhamos) o espírito era trocado de um corpo para o outro. O meu espírito passaria para o corpo da outra pessoa e vice-versa. Quem seria eu? O meu corpo com outro espírito ou o meu espírito no outro corpo?

Ninfa com este texto levantas problemas que na verdade a sociedade de hoje, de uma forma geral, prefere não aprofundar, talvez, com receio do que possa descobrir.

Ísis, nos Forcalhos e na vizinhança (como na tua velharia) foi neve, branquinha. –Odnilro contra-ataca! Muaaahhhahahh-

Ramalho, deduzo, atendendo ao que dizes, que o "sermos" é indefinido porque o pensamento, as acções,..., também vão variando ao longo da existência.
Quanto à existência não concordo que tenha de ter forma.

Magia disse...

Acredito que sim...que a alma é eterna, que cada um de nós tem uma missão a cumprir nesta vida...sou feliz assim e encontro um sentido para a vida que por vezes se apresenta cruel...

Beijo meu!

el Ramalho disse...

...porisso vamos crescendo, mudando. As nossas reações vão-se alterando com o tempo, a mesma ação provoca reações diferentes em momentos diferentes. Ninguém põe isso em causa.
Absorvemos o Mundo enquanto vivemos, filtramos e voltamos a deitar fora para o resto do Mundo absorver, filtrar... That's us growing up, evolving!
E se o teu 'recheio' se mudasse para outro 'embrulho' acho que continuavas a ser tu no embrulho (se fosse possivel) mas a partir daí ías mudar, adaptar-te ao novo corpo, á nova reação dos outros e os outros adaptar-se-íam a ti. Porque eles moldam boa parte do que somos.

papa love your princess so that she will find loving princes familiar/
papa cry for your princess so that she will find gentle princes familiar/
(...)
papa listen to your princess so that she will find attentive princes familiar/
papa hear your princess so that she will find curious princes familiar/
(...)
papa laugh with your princess so that she will find funny princes familiar/
papa respect your princess so that she will find respectful princes familiar/


(é um suponhamos, é uma opinião)

lá em cima é a 'princes familiar'. gosto muito de ouvir Alanis, é um bom vício.