É naquele momento em que as pálpebras desistem de acreditar e o rosto perde a força que a cabeça descai para um lado que tudo volta a ti, revolteias-te no sonho um sentir sem pensar. Quando não sabes o que é sentir, o melhor mesmo é sonhar. Porque quando acordares não te lembras ou recordas pouco, e assim dói menos. Sufoca-te eu não poder abraçar os teus suspiros e beliscar-te o braço para não chorares como quando caías em pequenino e o teu pai te fazia sempre, mas as nossas cidades continuam longe. Desculpa. Não é culpa minha. Nem tua. Alguém nos uniu e esqueceram-se das asas na prateleira, por isso hoje somos paixão platónica em todo o seu (não) viver. Talvez porque o amor nunca nos custou. Então serviram-nos um prato de crepe com chocolate e gelado que desaparece quando lhe espetamos o garfo. Para que custe. Para que doa. Um desafio agri-doce como alguns pratos orientais, e eu não gosto de caril nem malagueta.
No lugar da tua voz ecoará a estridente senhora da estação, a malvada que sem saber te roubou de mim. E não tentes beijar-me de palavras inúteis apenas coloridas pelo telemóvel, porque o que foi não volta a ser...

Comentários

Ninfa disse…
NEm sempre as palavras de que nos beijam são inúteis. Mas sim, por vezes já é tarde, já o comboio passou, outro virá, mais tarde decerto mas virá. E tudo retornará ao que sempre foi e ao que queremso ser. Como diz donna maria "agora já é tarde...não tem depois nem antes.."
Pakena Ticá disse…
Este tornou-se mesmo um dos meus posts preferidos. Por tudo. Pelo conteudo, pelo significado, por cada palavra...

Mágico. Fantástico. **
condestavel disse…
...mesmo que a gente quereira
e querer não é poder
o que foi não volta a ser.

quanto ao caril, também estamos de acordo: Que todos os pratos temperados de caril se afundem na lama...
izzy disse…
que maravilha de texto.. :)