quinta-feira, março 19, 2009

Tempo

A minha pegada marcada na areia. O vento a fustigar-me a cara e a sensação de que estou viva. "Nunca me tinha sentido tão viva", murmuram os meus sentidos. O meu paladar envolve-se no sabor salgado do mar.No tacto, a areia escorre levemente pelas mãos e os pés envolvem-se com o mar. O meu olhar perde-se na imensidão das ondas e o aroma forte da maresia penetra-me no nariz. Visão e olfacto. O tempo passa mas o relógio permanece com os ponteiros parados. Deixei de dar corda aos meus relógios. Estou farta do rebuliço de mais um dia que não espera por mim. Puxo o tapete ao tempo mas ele não cai. Continua firme, a correr num passo apressado de quem não vai para lado nenhum e não tem ninguém. Só que a mim o tempo já não me ganha. Ele pode vestir-se de manhãs e das mais ricas noites e madrugadas mas não sabe amar. E com um amor como este que tenho pode desmoronar qualquer castelo de horas. A sensação de estar viva torna-se mais forte a transformar-se em riso, em gargalhada, em grito. O tempo ainda olha para trás, espantado porque não o estou a seguir, a contar ansiosa os minutos para nada e para não chegar a lado algum. Hoje só há o aqui e o agora e a praia onde descanso os meus medos, sentados numa duna. No mar reflecte-se a tua imagem, feita de rimas de saudade e asas de açúcar. Não estou com pressa, espero-te enquanto o tempo avança. Mais uma vez, para nenhum lugar em que eu queira estar. Estou farta que o tempo me diga o que fazer. Que são horas disto ou daquilo. Que é tarde demais para os meus sonhos. O mar arrepia-me a pele. A sensação de estar viva.

1 comentário:

Mary Mary disse...

simplesmente lindo!! identifiquei-me com o texto!! a escrita é eterna e o sentir também..nunca pare de escrever, nunca pare de sonhar :)
parabéns pelo texto.

Maria