sexta-feira, abril 28, 2006

Fantasy land












A manhã vestiu-se com o seu manto mais bonito e saiu à rua- O mundo despertou com ela e as cidades encheram-se de passos. Ao longe uma criança acena com o seus dedos pequeninos e o seu riso desengonçado sem o dente da frente. Lembro-me. De ser também uma dessas crianças. Das fontes do riso. Levei o cantarinho à fonte e parti-o.


A relva é verde e cheira a Primavera, que se vestiu de folhas e flores. Pela pequena janela do comboio vejo o Mundo passar a grande velocidade. Os montes e o pasto, a lezíria da terra onde eclodiu o meu primeiro riso, o meu primeiro choro. Uma sensação telúrica daquele sítio pequenino, onde outrora também eu fui uma criança rabugenta e desdentada. Cuspindo a sopa e correndo de forma desvairada pela casa.O pequeno pedaço de terra, de cuja janela sonhei com horizontes longínquos.Refugio-me nas palavras para chegar a esse horizonte.De quimeras poéticas, de risos a arder a arder no estômago. O comboio afasta-se agora para outras paragens. A imagem permanece no recôndito espaço da memória.Ela que é imagem enfraquecida dos flashs dos olhos. E se um dia voar para outra moradia, nos confins do mundo, a memória dos cheiros, das faces das pessoas que conheci, a paisagem dos meu país das maravilhas permanecerá. Serei ainda a Alice? Que lia histórias na varanda e mergulhava em voo picado noutra dimensão, emprestada pelos livros.

O comboio estaca repentinamente. É a minha estação. O sol nos olhos de alguns, o nevoeiro nos olhos de outros. Fecho a mão com força e inspiro a energia univiersal de todas as coisas. Digo para mim mesma: - Está um dia bonito. Tudo vai correr bem.A dulcíssima lágrima compõe o cenário bucólico de mais um dia de Primavera. Recomeço a andar com uma criança a cantar baixinho no meu peito, com o sol nos olhos, a vida nas pálpebras e o céu nas mãos.

2 comentários:

Hizys disse...

sorver até à última gota a água fresquinha da fonte da aldeia, envolver o ar fresco soprado pelo vento, com uma aragem limpa, com cheiro a relva, a flores, a vida. aguentar até chegar à louca urbe de novo, para abrir os olhos e levar na garganta aquele ar e aquela anestesia purificadora d'un petit coin au paradis. como é bom ter um cantinho assim, e saber que tu o sentes! =) a magia de Aldeia Velha ficou em ti mesclada com a da tua aldeia. ambas se encontram nesse imaculado vestido de pétalas e sorrisos. =)=)

Hizys disse...

foto tirado no comboio com o pormenor do movimento :P chi chenhora!