Poemas para a minha filha - XIV

Tu, minha filha,
que me pedes mil vezes para parar
no caminho da escola

 um caminho que parece sempre igual
mas não é 

por causa de uma pedra,
uma toca de formigas,
uma folha,
um inseto.

Para olhar melhor,
descobrir-lhe as cores:

porque esta pedra tem musgo
e a outra não,

porque as flores começam a aparecer
e aquele caracol
tem desenhos diferentes.

Ou para saltar
pelas pedrinhas do caminho 

porque, afinal,
qual é a graça
de andar sempre
pela calçada?

Tu, minha filha,
lembras-me todos os dias

que melhor do que uma grande viagem
ou um trabalho bem pago

é aprender a olhar
para a vida

que acontece devagar
todos os dias,

mesmo quando
andamos distraídos.

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