Eu, Marta Santos

Um intenso mas doce desastre. Se me perguntassem seria assim que me definiria. Não que alguém precise de qualquer definição para perceber essa inegável verdade. Falar sobre mim pode soar egocêntrico mas ajuda-me a perceber melhor quem sou, no que me vou tornando.
Se eu existisse num filme ou num livro bem gostaria de ser uma personagem principal, mas a verdade é que eu sou aquela rapariga. Sim, aquela, a que cai lá atrás enquanto a cena se desenrola e toda a gente começa a rir. O meu cérebro está muito bem ligado à minha boca, mas a verdade é que eu falo pelos cotovelos e consigo dizer as coisas mais absurdas. Tropeço nas palavras como tropeço em escadas, calçada, ou qualquer outro obstáculo na minha frente. Sim, eu sou aquela rapariga. A que adora ler e já perdeu a conta a quantas vezes foi parar à estação errada, absorta em maravilhosas histórias. Aquela que adora cozinhar mas, por ser tão distraída, viu dois frascos iguais e o belo bolo de canela afinal...levou noz moscada. Eu sou a que acena a desconhecidos. A que faz esforços hercúleos para se conter quando está a falar de um assunto que a entusiasma. Os momentos mais embaraçosos também os possuo. Volto à universidade, a sala repleta de alunos e a Marta...a cair da cadeira em plena frequência de direito. Mas eu também tinha o...direito...de me enganar com aquelas cadeiras traiçoeiras! Eu era também a Marta dos Beijinhos, assim me chamavam, da alegria e dos sorrisos. Aquela rapariga que faria a Bridget Jones sentir-se menos...Bridget Jones! A Marta, que não se ajeita a jogar futebol, basquetebol, andebol...vários problemas com a terminação -bol. Tem medo de alturas, ratos, cobras, águas fundas.. e do que o futuro lhe pode trazer!  Salta de entusiasmo sozinha, com a música alta a ecoar nos ouvidos, enquanto vai a caminho do trabalho. Passa horas a ler no jardim. Procura uma perfeição que não existe. Odeia a monotonia e a mentira mas sabe que todos cometemos erros. Prefere o seu livro a uma noite na discoteca, gosta mais de NBA do que de futebol. Aquela rapariga, a quem o avô continua a chamar carinhosamente «Esparguete» pela sua estatura franzina. Chora em todas as comédias românticas, vê todos os filme da Disney. Já disse que ela chora? Com fotografias, livros, por palavras bonitas ou surpresas. As expetativas de uma surpresa causam-lhe borboletas na barriga. Ela comove-se com o mundo mas também se zanga com ele. Tem mau feitio, é teimosa e nem sempre quer dar o braço a torcer. Pede desculpa por tudo e por nada porque só quer agradar. Escreve bilhetes, faz bolos, e até andava quilómetros ao pé coxinho para fazer alguém rir. Só que ela é um desastre e constrói muitos muros em vez de pontes. Nem todos entendem os seus sorrisos quando quer esconder o que sente, ou os seus sonhos. Ah! Ela adora escrever, o refúgio das letras para uma rapariga tonta. Eu, Marta Santos.

Comentários

fsantabarbara disse…
E, de repente, destrói os muros e faz a ponte com o mundo através das palavras. Desta não estava eu à espera. Eu, Filipe Santa-Bárbara. ;)
Anónimo disse…
E por isso tudo que gostamos de ti! <3 Fati
VITORNANI disse…
Bela exposição íntima de uma mente iluminada! Sugiro assistir a esse vídeo. Boa semana! Abraços.