segunda-feira, fevereiro 08, 2010

jardim

Ouço a chuva cair lá fora e em cada gota há uma memória de nós. Do que fomos, do que poderíamos ter sido. Do que o futuro nos reserva. Em cada gota de água, que cobre a minha vila e os campos da minha memória, há uma pergunta à espera de uma resposta. As dúvidas estragaram a minha colheita de flores. Da panóplia de cores mais belas que já conheceste. O campo agora está de novo semeado, mas temo que as flores demorem mais tempo a desabrochar do que o normal. Espero que tragas contigo algo que possa fazer sorrir as flores e despir o meu jardim da tristeza com que se vestiu. O meu coração é um jardim. Deixaram crescer as ervas daninhas, deixaram crescer os espinhos das rosas até que alguém picou as mãos. O sangue jorrou da ferida aberta nas mãos de alguém, nas minhas mãos. Mas agora é tempo de sarar as feridas. De arrancar as flores murchas e começar de novo. Plantar orquídeas, túlipas, rosas que tenham menos espinhos, margaridas, violetas, jasmim. Jasmim. O amor que jaz em mim. Poderia ser. Podes trazer essas ou quaisquer outras flores. Devolve-me o amor que me roubaste. Devolve as partes do meu coração que partiste. Trouxeste um furacão na tua última passagem pelo meu jardim. Um vento tão forte que praticamente não sobraram flores de pé. Nem a árvore da confiança, que sempre esteve de pedra e cal no canto mais recôndito do meu jardim-coração. A minha alma está só a metade, como uma máquina a meio-gás. Estou a meio da felicidade, a meio do amor, a meio de desenrolar a teia das perguntas e das dúvidas que assolam e matam o meu jardim. Senta-te comigo esta noite no meu jardim. Conta-me como tudo começou em nós, fala-me das constelações que conheces e inventa nomes para aquelas que não sabes o que são. Reinventa o amor e diz-me que não é mentira o que sentimos. Faz-me acreditar. O meu jardim espera por ti para ser acarinhado, agraciado, plantado, encontrado. Põe as mãos na terra e luta. Luta para que a semente do tu e do eu volte a germinar em nós. Apenas te aviso: não plantes flores que possam murchar novamente. Não plantes sofrimento ou mágoa. Planta mudança, muita mudança em tons de branco e amarelo. Ou em rosa e azul. As minhas cores favoritas. Reconstrói o meu jardim.

1 comentário:

Petra Pink disse...

adorei! amei! ...
E se eu nao gostar de mim quem gostará