Obrigada, Jorge Palma
Tantas vezes escrevi ao som de Jorge Palma, tantas vezes a sua poesia cheia de dor e emoção me inspirou a encher linhas e linhas dos cadernos que sempre levei para todo o lado. Tenho um carinho especial pela música "Terra dos Sonhos": a letra, para mim, descreve na perfeição o meu pequeno paraíso, a minha aldeia, onde "toda a gente trata a gente toda por igual". Mas foi quando mergulhei a fundo na sua obra, que percebi que a música que me tinha encantado era só o início de uma viagem sem fim – pelos confins da minha alma, à descoberta de mim, pela voz dele. Tinha encontrado o meu mundo. Apaixonei-me por cada uma das suas letras, onde me descobri a mim, inteira. Um perfeito desconhecido escrevia como se me conhecesse e ajudava-me a fazer as pazes com os meus mil dilemas e inseguranças. Entre versos que copiava freneticamente para o caderno e melodias que acalmavam o turbilhão que sou, as suas músicas trouxeram-me paz e serenidade. Sim, tenho "cara de anjo mau" e "duas almas em guerra, e sei que nenhuma vai ganhar". Com o Jorge Palma aprendi que somos muitos com "as almas em guerra" e que andamos todos à procura de quem somos. E muitas vezes, foi a frase "enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar" que me ajudou a levantar a cabeça e continuar, por entre as tristezas e os cansaços. Obrigada, Jorge Palma. Pela poesia que emociona e música que embala e conforta. Hoje é um dia triste. Mas a gente vai continuar.
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