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O poeta é um fingidor

Poemas para a minha filha - XIV

Tu, minha filha, que me pedes mil vezes para parar no caminho da escola –  um caminho que parece sempre igual mas não é  – por causa de uma pedra, uma toca de formigas, uma folha, um inseto. Para olhar melhor, descobrir-lhe as cores: porque esta pedra tem musgo e a outra não, porque as flores começam a aparecer e aquele caracol tem desenhos diferentes. Ou para saltar pelas pedrinhas do caminho  porque, afinal, qual é a graça de andar sempre pela calçada? Tu, minha filha, lembras-me todos os dias que melhor do que uma grande viagem ou um trabalho bem pago é aprender a olhar para a vida que acontece devagar todos os dias, mesmo quando andamos distraídos.

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