Adeus, Jorge Palma
Na terça-feira, pouco depois de saber da partida de Jorge Palma, caminhava desalentada pela rua quando reconheci os acordes da música que uma janela entreaberta me trazia. Alguém ouvia "Dá-me Lume" a alto e bom som. Senti um arrepio. Do outro lado da janela, alguém sofria como eu a morte de um dos maiores músicos e poetas portugueses. Deixei que a vontade de chorar levasse o melhor de mim... E chorei. Estranhei ter uma reação tão forte à morte de alguém que nunca conheci, alguém com quem nunca me cruzei. Mas a razão é simples. Nas suas letras vi-me como num espelho e a sua poesia inspirou-me a escrever febrilmente, encantada pelas suas metáforas e imagens brilhantes. Percebi que já não chorava apenas pela partida dele. Chorava também de saudade. Saudade de quando era miúda e descobri as suas músicas, quando comecei a adorar cada um dos seus versos, quando as ouvia no carro com os amigos e cantávamos juntos "A Terra dos Sonhos". Chorei por um tempo que não volta. Por...